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Minhas Mães e Meu Pai: para seus ouvidos

26/04/2011 Deixe um comentário

Calma, calma, eu sei que já escrevemos uma resenha sobre o Minhas Mães e Meu Pai, não estou louca nem cover da Kátia Cega. O que gostaria de destacar aqui é a trilha sonora desse filme; ela me surpreendeu bastante, e de maneira bem positiva. Tanto que achei que valia um post apenas sobre isso.

Pra começar, ela é mais extensa que o habitual, com 17 faixas. E de qualidade, que vão de musiconas da década de 70 a bandas indies recentes que causaram frisson na ceninha (e tem até brasileira). Bem raro encontrar um filme com uma trilha sonora nesses moldes ultimamente, hein. Eu gostei.

Mas chega de lenga-lenga, né? Bora ouvir!

(Se não estiver afim de ouvir uma por uma, há um preview da soundtrack aqui.)

1. MGMT – The Youth
Gênero: eletrônica, indie, indie pop
Detalhe: essa música tem um clipe bem bizarro
Origem: EUA

2. David Bowie – Black Country Rock 
Gênero: rock clássico, glam, 70s [essa música]
Origem: Inglaterra

3. Tame Impala – Sundown Syndrome
Gênero: indie, eletrônica, trip-hop
Origem: Austrália

4. Fever Ray – When I Grow Up
Gênero: eletrônica
Detalhe: projeto solo da vocalista do The Knife
Origem: Suécia

5. Leon Russell – Out In The Woods
Gênero: rock clássico, 70s [essa música]
Origem: EUA

6. Deerhoof – Milk Man
Gênero: indie, experimental, noise rock
Origem: EUA

7. X – The New World
Gênero: punk, 80s
Origem: USA

8. Uh Huh Her – Same High
Gênero: eletropop, indie
Origem: USA

9. David Bowie – Win
Gênero: rock clássico, glam, 70s [essa música]
Origem: Inglaterra

10. Quadron – Slippin’
Gênero: eletropop, indie
Origem: Dinamarca

11. Joni Mitchell – All I Want
Gênero: jazz, folk, 70s [essa música]
Origem: Canadá

12. CSS – Knife
Gênero: eletrônica, indie
Detalhe: essa música é cover de Grizzly Bear
Origem: Brasil

13. Ge-ology ft. Yukimi Nagano – Blues Alley
Gênero: jazz, eletrônica
Origem: Suécia

14. Gábor Szabó – Galatea’s Guitar
Gênero: jazz, guitarrista, música tradicional húngara
Origem: Hungria

15. Betty Wright – Good Lovin’
Gênero: soul, R&B
Origem: EUA

16. Deerhoof – Blue Cash
Gênero: indie, experimental
Origem: EUA

17. Little Dragon – Fortune
Gênero: trip-hop, banda da Yukimi Nagano
Origem: Suécia

Também temos mais duas músicas que não estão na soundtrack oficial, mas que tocam por lá:

Vampire Weekend – Cousins
Gênero: indie pop
Detalhe: vale a pena ver o clipe!
Origem: EUA

Tom Hirschmann – Tailgating
Nenhuma informação encontrada sobre o compositor. Alguém conhece ?


E aí, curtiram?

Orgulho e Preconceito, por Jane Austen e Joe Wright

06/04/2011 Deixe um comentário

Jane Austen. Você já deve ter ouvido o nome dessa escritora que nasceu em 1775, na Inglaterra.  Eu também já tinha ouvido falar, e normalmente a associava a dois conceitos: coisa de mulherzinha e clássicos da literatura. Foi apenas quando conheci de fato uma das suas obras (Razão e Sentimento) que a primeira associação desapareceu. A mulher foi porreta mesmo e há grandes razões para que seus livros sejam considerados clássicos, especialmente se considerarmos o segundo deles, Orgulho e Preconceito.

Jane Austen escreveu romances de época, retratando em especial a sociedade rural inglesa e o que acontecia no interior das suas residências. Falando dessa forma parece um tédio sem fim, eu sei. A grande graça, porém, era a forma como ela o fazia. O foco não estava nas paisagens ou descrições, mas nas grandes caracterizações que construía, assim como no sarcasmo e inteligência aguda com que percebia as pessoas e costumes da época – tudo isso escrito com simplicidade e fluidez. Mesmo que suas obras sejam lidas daqui a 300 anos elas serão compreendidas e, mais do que isso, haverá uma identificação inevitável com pelo menos um dos personagens. Os costumes podem mudar, a sociedade e cultura seguem sua evolução, mas as paixões humanas… continuam basicamente as mesmas.

Em Orgulho e Preconceito temos a história da família Bennet como foco central: cinco filhas em idade para casar e com pais de pouco “pedigree” e muitos erros na sua criação. A história é contada pela perspectiva da segunda filha mais velha, Elizabeth Bennet, e começa com a chegada de novos vizinhos aristocratas – o sr. Bingley, suas irmãs e seu amigo, o sr. Darcy. A partir daí começam os bailes, flertes, fofocas, julgamentos, amores, preconceitos, maquinações, tolices… Não é preciso ter vivido no final do século XVIII para passar pelo mesmo, não é? Basta pensar no seu último final de semana.

O grande mérito da Jane Austen é não ter transformado tudo isso em histórias de amor típicas, piegas ou melosas. Os personagens são incríveis, os diálogos são sagazes, as tramas bem costuradas. É uma leitura extremamente prazerosa, em especial para quem gosta de observar a natureza humana.

Talvez seja essa a principal diferença da adaptação dessa obra para o cinema, de 2005. A história foi modificada em certa medida – o que é natural, já que a linguagem e o tempo são diferentes nas telas –, mas a parte mais significativa foi a modificação do clima da história. Tudo ficou mais hollywoodiano e apelativo, com declarações de amor na chuva que não existem no livro, por exemplo. Não acredito que chegue a ser um demérito, mas soa estranho para quem teve contato com a versão escrita.

Para que o diretor tivesse sucesso era preciso conseguir duas coisas acima da média: atores (para demonstrar todas as sutilezas dos personagens) e locações (para demonstrar toda a opulência e contrastes). E conseguiu. Keira Knightley, Matthew Macfadyen, Donald Sutherland e Judi Dench estavam muito apropriados e convincentes em seus papéis, apenas não gostei muito da escolha do Tom Hollander para interpretar o sr. Collins. E as locações, como era de se esperar, eram belíssimas – vale a pena ver os extras do DVD para ter mais detalhes.

Sou meio suspeita para falar desse livro e desse filme, é difícil ser imparcial com os seus favoritos – e olha que eu acabei de terminar o livro. De qualquer forma, dê uma chance. Você pode não se apaixonar como eu me apaixonei, mas certamente não será tempo desperdiçado.

Ficha Técnica

Filme

Título: Orgulho e Preconceito (Pride & Prejudice)
Diretor: Joe Wright
Ano: 2005
Gênero: Romance
Duração: 127 minutos

Livro

Título: Orgulho e Preconceito (Pride & Prejudice)
Autora: Jane Austen
Editora: LP&M pocket
Ano: 2010
Páginas: 400

Elsa & Fred – Um Amor de Paixão

23/03/2011 Deixe um comentário

Numa situação cotidiana qualquer, um homem e uma mulher de personalidades completamente opostas se conhecem. O tempo passa, a convivência aumenta, surge o amor e suas vidas são mudadas. Com certeza você já viu essa história antes. Eu também. Assim de pronto me lembro de três filmes com essa fórmula básica: Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças (Eternal Sunshine of the Spotless Mind, 2004), Ensina-me a Viver (Harold & Maude, 1972) e Nunca Te Vi, Sempre Te Amei (84 Charing Cross Road, 1987). Todos são ótimos e altamente recomendáveis. E Elsa & Fred – Um Amor de Paixão é mais um dessa lista.

O filme é de 2005 e ambientado em Madrid, numa produção espanhola e argentina. O mote eu já contei praticamente inteiro, mas isso não prejudica em nada o encanto do filme. O que conta realmente são os detalhes da história e os protagonistas, um com 78 anos de idade, outro com 77. Fred é hipocondríaco (“cagão”, como definiu Elsa em um dos melhores diálogos do filme), circunspecto, apagado e recentemente viúvo, enquanto Elsa é inconseqüente, intensa, jovial, aventureira e mentirosa. Apesar de não serem ímãs, a atração era inevitável.

A história é contada de uma maneira muito despretensiosa, simples e delicada. Mesmo havendo dramas subjacentes tudo é tratado com leveza e humor, e, pra mim, foi impossível não assistir à história com um sorriso contínuo. É tão bonito e otimista que, por mais que você não esteja na mesma sintonia, não há como resistir à ternura que inspira. É, portanto, daqueles filmes que te fazem sentir bem quando acabam, ao mesmo tempo em que te fazem avaliar uma porção de coisas da sua própria vida. Sim, porque ele também dá alguns recados significativos, independentemente da sua idade e sem cair na pieguice. O enfoque não está na maior proximidade que os personagens enfrentam do último suspiro ou chance, mas em como a vida pode melhorar a qualquer momento – bastando estar aberto a essas oportunidades.

Não vou contar mais pra não tirar as pequenas surpresas da história, não se preocupem. Apenas vou me ater a dizer que Elsa & Fred foi uma surpresa muito agradável, que tem o poder de melhorar o ânimo dos corações mais peludos. Vale a pena assistir e refletir a respeito, em qualquer etapa da vida que você esteja.

Ficha Técnica

Título: Elsa e Fred – Um amor de paixão (Elsa e Fred)
Diretor: Marcos Carnevale
Ano: 2005
Gênero: Comédia romântica
Duração: 105 minutos

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