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O Fascinante Império de Steve Jobs

Há cerca de 30 anos atrás, Michael Moritz (meu parente de sobrenome) era um jovem jornalista da revista Time e obteve acesso aos bastidores da Apple Computer para escrever uma crônica sobre a primeira década da Apple.

Hoje, Michael Moritz responde pela Sequoia Capital, uma empresa de investimento privado que ajudou a criar e organizar empresas como Yahoo!, Google, PayPal, Oracle, etc.

O livro O Fascinante Império de Steve Jobs tornou-se uma leitura obrigatória sobre a empresa. O autor não deixa passar nada ao comentar a atmosfera que nutriu seus fundadores. A obra comenta relatos da infância e adolescência de Steve Jobs, os estudos, sua vida hippie, seus primeiros empregos. Ele detalha a criação e ascensão da empresa, sua demissão, a luta com a NeXT, a aquisição do Estúdio Pixar e o seu retorno à Apple.

A chegada de Jobs no saguão da Atari em Sunnyvale foi monitorada por uma recepcionista bastante observadora. Segundo Al Alcorn, o engenheiro-chefe, a recepcionista disse: “Há um garoto aqui no saguão. Ou ele é doido ou é um gênio”. Jobs parecia um mendigo. Falava mil palavras por minuto e dizia que tinha trabalhado na calculadora HP35.

Apesar do título sugerir o contrário, Steve Wozniak não é deixado de lado. Todos os devidos créditos são dados àquele que dava vida às ideias mirabolantes.

Mas construir uma Caixa Azul funcional eram outros quinhentos. (…) Empurrados pela insistência de Jobs, os dois transformaram seu passatempo em negócio e começaram a vender os equipamentos. “Ele queria dinheiro”, disse Wozniak sobre seu parceiro.

Nas palavras do autor, a Apple é a criança precoce do Vale do Silício. Em um espaço de oito anos saiu de uma sala de estar para vendas de mais de 1 bilhão de dólares. E tanto sucesso assim merecia ser analisado de perto.

O livro é estúpido de tão bem detalhado e rico de informações preciosas, e também técnicas de marketing da empresa que transformou um negócio de garagem em uma marca que vale bilhões.

“Billy Ladin é um revendedor do Texas” explicou Goldman. “Tem cerca de quatro lojas e vende peixinhos dourados. Ele diz “Eu dou os peixinhos de graça”. O garotinho corre para casa e uma hora depois volta com cinco dólares da mãe e aí eu lhe vendo o aquário, as pedras e a comida.”

A história é brilhantemente revezada em capítulos sobre o início da empresa e detalhes de reuniões de marketing, lições de administração e histórias de corredores da Apple. Michael Moritz passou alguns meses frequentando essas reuniões, acompanhando o progresso no desenvolvimento de um novo computador. Não é um retrato autorizado da empresa, mas conta com dados de documentos que vazaram – o autor não teve acesso a nenhum relatório interno.

O Fascinante Império de Steve Jobs tem todo o meu respeito e recomendo a leitura a todos que queiram conhecer a história da Apple até seu primeiro bilhão de dólares.

Ficha Técnica

Título: O Fascinante Império de Steve Jobs
Autor: Michael Moritz
Ano: 2009
Gênero: Administração
Editora: Universo dos Livros
Número de páginas: 367

Você também pode gostar de:

iWoz, ou “A história do outro Steve da Apple”

“A Febre Starbucks”, uma dose dupla de cafeína, comércio e cultura.

“Dependendo de suas convicções ideológicas – e, a bem da verdade, do quanto você é ou não um verdadeiro apreciador de café – a história a seguir pode ser vista como um relato de um atentado à decência ou da decisão mais genial que um sujeito chamado Howard Schultz tomou na vida.”

Com estas palavras, Taylor Clark inicia a introdução de seu primeiro livro, A Febre Starbucks. Com uma escrita leve, muitas vezes irônica e divertida, Taylor metralha informações tremendamente importantes sobre tudo o que está relacionado à Starbucks, maior rede de varejo de cafés do mundo. Não há assunto que ele não aborde: a origem do café, a convivência do mundo com um café horrível durante anos, o surgimento de uma casa especializada em bons cafés, a entrada de Howard Schultz nos negócios, as estratégias deste visionário, a ascensão sem previsão de parada da Starbucks, as manifestações contrárias aos estabelecimentos, a luta de funcionários em sindicatos, a vida dos cafeicultores, a política do Preço Justo, a experiência do terceiro lugar, etc.

Em 1997, a Starbucks era uma rede de aproximadamente 400 lojas. Howard queria que até 2000, houvessem 2000 lojas abertas. No entanto, montar uma Starbucks não era barato, então Schultz convidou Wright Massey, ex-designer da Disney, que assinara a remodelação do visual das Disney Stores. Ele foi incubido de criar um modelo visual mais em conta da Starbucks. E Massey arrasou, criando uma ambientação com quatro opções de cores para que cada loja fosse ligeiramente diferente uma da outra, trabalhando a psicologia das cores em cima dos quatro estágios do café. O resultado desta remodelação foi que em 2000, a rede não apenas havia batido a meta de 2000 lojas como, no fim do ano, havia quase duplicado essa meta, com um total de 3500 cafeterias em funcionamento (a título de informação, temos várias lojas em Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro).

Taylor também aborda a questão da existência dos cafés locais. Se uma Starbucks se instalar do lado de um café local, ele tem chances de sobreviver? Conforme Clark, tem. Afinal, a política da Starbucks é eficiência e agilidade – não qualidade.

Existem lojas na Base Naval de Guantánamo, em Cuba. Em uma igreja cristã em Munster, Indiana. Na Cidade Proibida e até na Grande Muralha da China. Essa homogeneização cultural é duramente criticada por muitas pessoas no mundo todo, mas a Starbucks tem dado conta de resolver ou contornar isso.

Em 400 páginas, Taylor discorre sobre as estratégias de marketing da Starbucks e sobre como o canto da sereia conquistou milhões e milhões de pessoas, a ponto da rede abrir duas lojas no mesmo quarteirão para dar conta do movimento. Toda a comunicação da rede Starbucks é integrada e a liderança de Howard Schultz é inestimável: o carisma de Howard e sua liderança criativa e atenciosa estimula todos de sua equipe. Essa liderança é ainda mais extraordinária quando paramos para pensar que um único homem comanda todas as lojas em todo o mundo: a Starbucks não vende franquias. Howard e sua equipe escolhem os melhores pontos para instalar uma Starbucks e manda bala, sem dó nem piedade.

Leitura recomendada para entender mais de café, comércio e cultura.

Ficha Técnica

Título: A Febre Starbucks (Starbucked)
Autor: Taylor Clark
Ano: 2008
Editora: Matrix Editora
Gênero: Administração, Marketing
Número de Páginas: 408

 

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Os Seis Chapéus do Pensamento

Era uma vez um homem que pintou um lado do seu carro de preto e o outro de branco. Seus amigos lhe perguntaram porque ele havia feito uma coisa tão estranha. Ele respondeu: ‘Porque vai ser muito divertido, caso eu venha a sofrer um acidente, escutar as testemunhas se contradizendo no tribunal’”.

Com essa história, podemos ilustrar e entender de uma vez por todas o que significa “ponto de vista”. Edward de Bono, médico e psicólogo fez sua contribuição ao mundo para ajudar as pessoas a estruturarem um pensamento claro. Para facilitar a organização das ideias, criou um sistema prático e produtivo: os seis chapéus do pensamento.

O método consiste em atribuir uma cor e um objetivo a seis chapéus. A confusão é a maior inimiga do pensamento, porque tentamos buscar informações, novas ideias, benefícios e soluções à um problema. Nas palavras de Edward de Bono, “fazer malabarismo com seis bolas é muito difícil; jogar uma única bola para o alto e apanhá-la de volta é bem mais fácil.”

Temos então seis cores e seis “fases” em um processo: o momento do chapéu branco, onde as pessoas devem ser neutras e apresentar os fatos; o momento do chapéu vermelho, que mostra as intuições e impressões pessoais acerca do problema; o momento do chapéu preto, apontando riscos da ideia; o pensamento positivo vem no momento do chapéu amarelo, expondo os pontos que possivelmente darão certo; o chapéu verde sugere mudanças e criatividade nas resoluções; e por fim o chapéu azul faz uma reflexão sobre o próprio pensamento.

Desta forma podemos estruturar um pensamento claro e eficiente, e sair com uma solução adequada aos problemas expostos. O método pode parecer bobinho, mas vem sendo utilizado com sucesso por corporações e até mesmo escolas, que mostraram bons resultados com esta adoção.

Ficha Técnica

Título: Os Seis Chapéus do Pensamento
Autor: Edward de Bono
Editora: Sextante
Gênero: Negócios, Administração
Número de páginas: 191

Tudo o que você pensa, pense ao contrário

Virei fã de Paul Arden, pela sua simplicidade e genialidade concentrada em poucas palavras. Pudera, ele é ex-diretor executivo de criação da agência Saatchi & Saatchi.

Em “Tudo o que você pensa, pense ao contrário” ele desafia o leitor a encarar os acontecimentos de modo diferente. Ser pessimista é para os fracos, mas ele não pede que você seja uma pessoa positiva-cara-de-margarida, ele só pede, como um bom publicitário, que aproveite as marés de azar para achar uma solução: a mais simples possível.

Entre uma diagramação maluca e outra, o livrinho de 136 páginas traz histórias (altamente resumidas) de paradoxos em braile, pessoas impetuosas com grandes ideias e muitos empregos, pontos de vista, ego, como agir em uma reunião, e até uma ou outra história de famosos irreverentes.

Não tenho como convecê-lo a ler este livro: ele é simplesmente curto e audacioso demais para que eu apenas o descreva, então deixe-me compartilhar uma história:

Isto é uma pintura em braille. Em braille está escrito “Não toque”, no entanto a única maneira de ficar sabendo disso é tocar nela. Um adorável paradoxo, e um grande exemplo de pensar ao contrário.

Por isso eu recomendo que você leia o livro, para se divertir e pensar em fazer as coisas de forma diferente. O livro te tira do lugar comum. Fala coisas que você não espera.

Ficha Técnica

Título: Tudo o que você pensa, pense ao contrário.
Autor: Paul Arden
Ano: 2006
Editora: Intrínseca
Gênero: Negócios
Número de páginas: 136

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