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“Os Irmãos Grimm”, comédia com Heath Ledger e Matt Damon em boa forma

Monica Belucci como rainha má

Quem acredita em contos de fada? Jake sim, Will não. Quando pequenos, Jacob (Heath Ledger) e Wilhelm Grimm (Matt Damon) tinham uma irmã doente, e venderam uma vaca para conseguir dinheiro para cuidar da menina. Jacob ficou encarregado de vender a vaca, mas a trocou com um estrangeiro por feijões mágicos (isso te lembra algum conto?).

Partindo deste acontecimento infeliz na infância dos meninos, Jake e Will crescem e fazem seu nome enganando pessoas, inventando bruxas e maldições teatrais com os amigos para ganhar dinheiro das vilas ignorantes. Até que um dia Napoleão Bonaparte e sua trupe francesa descobre as façanhas dos Irmãos Grimm e os enviam para uma floresta realmente amaldiçoada, onde cerca de 9 garotinhas já haviam desaparecido (inclusive Greta, irmã de Hans, do conto das migalhas) para provar seus talentos.

Para ajudá-los, eles levam a garota mais estranha da cidade (Lena Headey), uma mulher a quem todos chamam de amaldiçoada por ter toda a sua família levada pela floresta. No caminho encontram diversas pistas que podem levá-los a uma possível Bruxa Má (Monica Bellucci) com planos maldosos para todos que se meterem em seu caminho.

Irmãos Grimm é uma mistura extraordinária dos contos que permite ao espectador se divertir do início ao fim, com diálogos bem construídos, atuações bem dirigidas e um figurino digno de nota. Sem falar na fotografia, que é de cair o queixo.

Ficha Técnica

Título: Os Irmãos Grimm (The Brothers Grimm)
Diretor: Terry Gilliam
Ano: 2005
Gênero: Aventura
Duração: 118 minutos

Lanterna Verde: diversão para quem não é fã

Lanterna Verde em ação

Lanterna Verde, dirigido por Martin Campbell (o mesmo de Cassino Royale), adapta para o cinema a história do personagem de quadrinhos criado por Martin Nodell e Bill Finger, da DC Comics – hoje propriedade da Warner Bros. Entre um blockbuster e outro (Batman em 2012 e Superman em 2013), a Warner resolveu fazer um dinheirinho em cima de um personagem “menos conhecido”, mas com público suficiente para garantir que a bilheteria não seja um fracasso.

Hal Jordan (Ryan Reynolds) é um piloto de testes convencido, irresponsável, imaturo e atrapalhado, que seguiu a carreira do pai, falecido em um acidente de voo. Hal vive uma inconstante com sua paixãozinha Carol Ferris (Blake Lively), que pilota tão bem quanto ele e é filha e herdeira do dono da companhia para a qual trabalha. Carol é forte e apaixonada, um misto que Blake Lively encarou muito bem.

Lanterna Verde conhecendo os colegas

Após uma simulação de voo fracassada, Hal Jordan tem contato com Abin Sur, uma espécie de alienígena, que está falecendo e pede que Hal cuide de um certo anel verde, prestando o juramento da Tropa dos Lanternas Verdes. Depois de enterrar o corpo do ser, Hal leva a lanterna da espaçonave para sua casa e guarda o artefato. O corpo de Abin Sur é encontrado pelo governo e fica sob os estudos do biólogo antisocial Hector Hammond (Peter Saarsgard). Ao entrar em contato com as substâncias do corpo falecido, o professor acaba sendo infectado por um vírus amarelo que tranforma suas hemoglobinas em amarelobinas (tudumpisshhh) em questão de dias. Trata-se da manifestação do Parallax, uma entidade espacial que é a personificação do medo. O “vírus” amarelado é a causa da fraqueza dos lanternas verdes.

Enquanto isso, Hal descobre pouco a pouco os poderes reais da lanterna verde e se torna o primeiro humano a ser selecionado para a Tropa, tendo que provar seu próprio valor a si mesmo e aos outros patrulheiros espalhados no universo. Assim, Hector e Hal travam uma batalha para defender a raça humana, mal vista aos olhos dos lanternas verdes, especialmente por Sinestro (Mark Strong). Amigo do falecido Abin Sur, Sinestro acredita que os humanos são seres fracos, provenientes de uma espécie nova demais para fazer qualquer coisa.

Lanterna Verde preocupado

A bem da verdade, os efeitos especiais ficaram muito decentes, o 3D rendeu e o tom animado do filme funciona pro público geral e para quem não é ligado no personagem (tipo eu). Já os fãs mais fervorosos provavelmente não vão gostar das alterações na história, do uniforme, dos poucos personagens exibidos, vão detestar Ryan Reynolds e coisas do tipo. Deve matar o tempo enquanto Batman não chega.

Ficha Técnica

Título: Lanterna Verde (Green Lantern)
Ano: 2011
Gênero: Aventura
Diretor: Martin Campbell
Duração: 114 min

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Patriotismo e surpresas em Capitão América

Bravura Indômita renova o espírito do velho oeste

Personagens de Bravura Indômita

No geral não sou muito fã de westerns, filmes de faroeste, e coisas deste gênero. No entanto, fiquei imensamente atraída pelo caolho Jeff Bridges no pôster e imediatamente fui fisgada pelo enredo. Fiquei surpresa com o ritmo do filme, que alterna entre humor e aventura, evidenciando o talento do trio principal.

Mattie Ross (a brilhante novata Hailee Steinfeld) é uma garota de 14 anos que busca vingança para a morte do seu pai. O responsável pelo assassinato, Tom Chaney (Josh Brolin), fugiu para além do território indígena, onde não há jurisdição para a justiça de Mattie. Sem a ajuda da polícia local, Mattie acaba contratando o melhor e mais cruel Delegado Federal (US Marshall) que encontra: Reuben “Rooster” Cogburn (Jeff Brigdes), um velho caolho, bêbado e sem papas na língua que aceita a oferta relutantemente. A personalidade de Cogburn casa perfeitamente com a determinação e coragem da pequena.

Junto a isso, surge em cena o Texas Ranger LaBoeuf (Matt Damon), um outro federal que também está atrás de Chaney, a troco de uma recompensa pela sua captura por ter matado um senador. Inicialmente em uma parceria com Cogburn, LaBoeuf abandona o barco ao ver que a menina está tão determinada a condenar Chaney pela morte de seu pai que não aceitará julgá-lo por outro crime que não o homicídio de seu pai, separando-se então da dupla.

Jeff Bridges em Bravura Indômita

Enquanto o alvo da caçada se afasta cada vez mais, o filme explora a convivência de Mattie e Cogburn, apresentando os defeitos e as qualidades de cada personagem e nos convence, pouco a pouco, do valor e do papel de cada um. Até as cenas com os maltrapilhos de Chaney, o filme se aproveita dos detalhes e fornece reviravoltas, envolto em uma segurança e maturidade do roteiro.

Além disso, a estreante Hailee Steinfeld conseguiu transformar a pequena Mattie em uma mulher determinada, fazendo com que não haja nenhum obstáculo entre ela e seu objetivo. Elogios também não faltam a Jeff Bridges, que parece ter se sentido muito confortável no papel do rabugento. Acho que ele se dá bem com papéis assim.

Com uma excelente fotografia e figurino impecável, Bravura Indômita define seu espaço como um western moderno, confiante e autoritário.

Ficha Técnica

Titulo: True Grit
Diretor: Ethan Coen, Joel Coen
Ano: 2010
Gênero: Aventura, Western
Duração: 110 minutos

Patriotismo e surpresas em Capitão América

Chris Evans como Capitão América

Capitão América me surpreendeu, devo dizer. Além de trazer à luz mais um personagem para o enredo de Os Vingadores, o filme garante surpresas para quem não esperava absolutamente nada. A começar por Chris Evans, que muitos duvidavam ser capaz de fazer qualquer coisa além do Tocha Humana, mostrou que pode incorporar o Capitão America.

Steve Rogers (Chris Evans) é um magrelo de bom coração que tenta se alistar ao exército todo ano e nunca consegue por causa da sua (falta de) força. Com um empurrãozinho do Dr. Abraham Erskine (Stanley Tucci), um cientista que ele conhece no dia do alistamento, ele consegue uma vaga e parte para o campo de treinamento. Vencendo sempre pela inteligência (a cena com a bandeira no mastro é hilária) e pela bondade, o garoto chama a atenção do cientista – e da bela Peggy Carter (Hayley Atwell) – que está buscando o homem perfeito para um experimento, cujo resultado irá abrandar as potencialidades do humano em questão – sejam elas boas ou ruins – e torná-lo um super soldado.

Red SkullClaro que o magrelo ganha na loteria e é escolhido para o experimento. Realizado com sucesso, Steve Rogers agora é um ser humano com força, velocidade, destreza e bondade absurdas. Sua primeira missão é: servir de motivação para a América e atrair novos recrutas.

Certo dia, ele descobre que seu amigo de infância, Bucky (Sebastian Stan), foi à uma missão militar e foi dado como desaparecido. Determinado, junta sua própria tropa e parte em busca do rapaz, sequestrado pela organização HIDRA, encabeçada por Johann Schmidt (Hugo Weaving). Ao realizar o intento, clama para si um respeito que não tinha até então e começa a liderar outras missões. Uma delas vai levá-lo direto ao encontro do Caveira Vermelha e, num misto de Star Wars, Matrix e tudo o que há de bom, os dois duelam.

Embora a presença de Evans no elenco divida opiniões, o garoto se saiu muito bem. Além disso, o roteiro exibiu alguns fatos dos quadrinhos, garantindo certa fidelidade à história, como a criação do Capitão América, o affair com Peggy Carter, a aliança com Howard Stark (pai de Tony), etc.

Tudo leva a crer que Os Vingadores, com toda essa galera junto na tela, vai ser incrível.

Chris Evans conversando com colega

Ficha Técnica

Título: Capitão América – O Primeiro Vingador (Captain America – The First Avenger)
Ano: 2011
Gênero: Aventura
Diretor: Joe Johnston
Duração: 124 minutos

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Lanterna Verde: diversão para quem não é fã

O fim de uma saga no cinema: Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte II

Eu já falei aqui o que Harry Potter significa para mim. A série literária foi um fenômeno e teve um papel importantíssimo na formação de novos leitores. Eu estava lá dez anos atrás lendo o primeiro livro e me deliciando com o humor e a aventura de cada página. A empolgação pela chegada do último filme é facilmente substituída pelo pesar em saber que é o fim da saga nos cinemas. Harry Potter é uma das séries mais completas que existem – que respeitou o material original ao mesmo tempo em que buscou visões diferentes para contar a história do menino bruxo.

Queria poder falar de todos os filmes, um a um, mas o assunto de hoje é Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte II. O livro continha tantos detalhes importantes para fechar a história, que talvez não fosse mesmo possível contá-la como deveria em apenas um filme. Some isso à indústria cultural existente em torno da série e temos a divisão da história em dois filmes. A primeira parte, lançada no final do ano passado cumpriu de forma excepcional todos os critérios para emocionar, surpreender e acelerar o coração de qualquer fã. E a qualidade técnica é indiscutível.

Em Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte II, Harry (Daniel Radcliffe) dá continuidade à busca pelas horcruxes e elimina-as uma a uma, enquanto se despede de amigos e defensores leais a cada batalha. O poder de Voldemort (o brilhante Ralph Fiennes) cresce ameaçadoramente, enquanto a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts agora está sob o comando de Snape (Alan Rickmann).

A primeira metade do filme merece elogios desde o primeiro segundo. A invasão do Banco de Gringotes é fascinante em todos os aspectos. Desde o preparo para a invasão, onde Hermione se transforma em Bellatrix (e Helena Bonham Carter impressiona o público com todos os trejeitos delicados de Emma Watson), até a fuga com o dragão que guarda o Banco.

Um dos objetos que Harry procura está em Hogwarts e ele precisa entrar no castelo. Sua presença é rapidamente sentida e o vilão ameaça invadir a escola. Sem palavras para descrever a cena em que os professores de Hogwarts se juntam para proteger o castelo, uma maravilhosa retratação do que nós, leitores, imaginamos enquanto líamos o livro. Só assistindo para entender.

O destino de Snape chega em uma cena forte, tensa. E as memórias de Snape mostrando seu relacionamento com a família de Harry, emocionam. A cena conseguiu resgatar a imagem de um personagem que, até o último segundo, foi mal interpretado.

E tenho certeza de que não preciso me alongar ao falar sobre a trilha sonora, tão perfeita, tão épica, crescendo e tornando-se cada vez mais obscura enquanto acompanha o destino dos personagens. Não é obra de John Williams, mas Alexandre Desplat faz um excelente trabalho, e ainda usa o tema criado há 10 anos atrás, vital para o fim da saga.

Da metade pra frente, no entanto, senti falta do ímpeto e da criatividade que só o cinema pode conceder à uma história. Faltou a liberdade criativa que poucos escritores concedem aos roteiristas de cinema. Tantas vezes antes vimos uma cena de Harry Potter nos surpreender por ser tudo aquilo que imaginávamos e muito mais. Aqui, cenas importantes tiveram sua presença reduzida à um feitiço, e tudo se atropelou, ao invés de manter aquele sentimento que a gente gostaria de prolongar. Num piscar de olhos, o fim da história chegava. E nem foi de mansinho.

Queria ter sentido mais daquela agonia que senti durante Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte I, mas a saga se despede muito bem dos cinemas, deixando aquela saudade em todos os corações que cresceram e amadureceram ao lado de Harry Potter, Ron Weasley e Hermione Granger.

Aqui cabe um comentário de fã, totalmente parcial: seja como for, Harry Potter vai deixar (muitas) saudades. Hogwarts sempre estará lá para aqueles que precisarem dela. E para aqueles que a merecem.

Curiosidade: Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte II supera US$ 830 milhões em seu segundo fim de semana em cartaz.

Ficha Técnica

Título: Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte II (Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 2 )
Diretor: David Yates
Ano: 2011
Gênero: Aventura, Fantasia
Duração: 130 minutos

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Harry Potter – A Magia do Cinema

Sucker Punch: O mundo surreal de Zack Snyder

Vamos lá, qual é a primeira coisa que lhe vem à mente quando eu digo “Zack Snyder”? Não sei você, mas eu penso imediatamente em 300 e Watchmen no ápice de sua estética.

Em Sucker Punch – Mundo Surreal Zack apresenta seu primeiro roteiro mirabolante e deixa uma marquinha no mundo. O filme é interessante, psicológico, raso em detalhes, fabuloso em ação e, principalmente, artístico e conceitual.

Baby Doll (Emily Browning) perdeu sua mãe e, na tentativa de matar o padrasto, atira na própria irmã sem querer. Ele a coloca em um hospício e, enquanto aguarda o dia da lobotomia, ela monta um plano para escapar.

A história acontece em vários níveis. No primeiro plano, o da realidade, Baby Doll aguarda sua lobotomia no hospício. No segundo, a garota vive em um cabaré e descobre um talento hipnótico para a dança. No terceiro nível, o mundo surreal toma forma e a personagem trava batalhas para conquistar o que precisa. Lembrou de A Origem? Tudo bem, mas não se prenda por isso.

No elenco principal temos um time de belezas únicas. O diretor sabe extrair o que há de melhor em seu time, e dá poder às meninas, tornando-as mais perigosas, sensuais e misteriosas – mesmo que apenas encurte a saia e escureça a maquiagem.

Emily Browning encarna a bonequinha com cara de choro Baby Doll. Jena Malone, que some e desaparece de vez em quando no cinema, empresta seu ar rebelde à Rockett. No papel da irmã durona de Rocket, temos Abbie Cornish como Sweat Pea. E aí tem as personagens sem sal nem açúcar de Blondie (Vanessa Hudgens) e Amber (Jamie Chung), os elos fracos do grupo. Carla Gugino fecha o time no papel da diretora do cabaré, Vera.

A beleza desejável e os trajes modestos das meninas mostram a típica estética de videogame. As ilusões mais profundas de Babydoll, instigadas pela sua misteriosa dança, desenham um background onde a personagem destrói inimigos e avança uma fase no seu plano, elaborado um nível abaixo em sua consciência.

O lado conceitual e burlesco fica claro já no início do filme. Antes de atirar, Baby Doll perde um botão do seu pijama: é o fim da linha pra ela, não é mais uma criança. Em seguida os acontecimentos que levaram a menina ao hospício se desenrolam entre movimentos lentos da câmera, ao som de Sweet Dreams (are made of this) – interpretada pela própria Emily Browning.

A estética do filme é maravilhosa e as cenas de ação são bem coordenadas. Sucker Punch oferece um mergulho no psicológico fantasioso de Baby Doll e suas fases medievais, surreais. A trilha sonora dá o toque final à obra, cujo tempo vale apena investir.

Ficha Técnica

Título: Sucker Punch – Mundo Surreal (Sucker Punch)
Diretor: Zack Snyder
Gênero: Aventura, Ação
Ano: 2011
Duração: 110 minutos

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