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iWoz ou “A história do outro Steve da Apple”

Capa do livro iWozDesde seu falecimento em outubro desse ano, a biografia de Steve Jobs tem liderado a lista dos livros mais vendidos. Não é pra menos, afinal de contas, todo mundo quer conhecer a história de sucesso do indivíduo que inaugurou a era da informática pessoal.

Mas não é desse Steve que o livro aqui resenhado trata, e sim do outro Steve, o Wozniak, cofundador da Apple e, para muitos, o verdadeiro gênio por trás dessa fabulosa história. Apesar de não ser tão famoso quanto seu sócio, é seguro afirmar que sem o conhecimento e dedicação de Wozniak, não haveria uma Apple.

Escrito pelo próprio Wozniak em 2006 e intitulado de “iWoz – A verdadeira história da Apple segundo seu cofundador“, o livro é antes de tudo o relato de um engenheiro apaixonado por sua profissão. A saga de um precoce inventor, que desde muito jovem se dedicou à eletrônica e encontrou no desenvolvimento de projetos de computadores sua grande vocação e objetivo de vida. Vocação que culminou na concepção do Apple 1, o primeiro computador pessoal que podia ser facilmente operado por pessoas comuns, em suas casas.

O interesse de Wozniak pela eletrônica veio bem cedo. Incentivado pelo seu pai, aos 11 anos já montava kits de rádio amador. Na escola era um aluno aplicado em matérias como Matemática e Física. Com 13 anos, projetou e montou sozinho uma máquina de somar e subtrair, o que lhe rendeu o prêmio de destaque na feira de ciências da escola.Jobs e Wozniak

Jobs e Wozniak se conheceram por intermédio de um amigo em comum. Jobs era mais novo por isso estava quatro anos atrás de Wozniak no colégio. Mas o interesse mútuo na eletrônica juntou os dois garotos e uma amizade floresceu.

Já na faculdade, ele se tornou um dos primeiros hackers de telefone, ao construir uma pequena caixa azul que permitia fazer chamadas de longa distância, sem pagar por isso. Na verdade esse foi o primeiro “produto” que os 2 jovens comercializaram juntos. Mas essa empreitada não durou muito.

Wozniak era um engenheiro. E queria ser engenheiro por toda a vida, tanto que a conquista de um emprego na HP fora, até então, a realização da sua vida.  Alocado na divisão das famosas calculadoras, ele passava o dia fazendo o que mais gostava: projetar novos circuitos e funcionalidades para as máquinas de calcular. E à noite, se dedicava ao próprios protótipos eletrônicos.

Foi nesse período que ele começou a frequentar o Homebrew Computer Club. Um clube dedicado exclusivamente ao desenvolvimento de tecnologias de informática para as pessoas comuns. A revolução da informática começava ali, em reuniões semanais de entusiastas em uma garagem qualquer da Califórnia. Wozniak não tinha mais dúvidas, colocaria em prática o plano de construir seu próprio computador pessoal. Alguns meses depois, nascia o Apple 1.

Apple I

Um dos grandes talentos de Wozniak era o de desenvolver seus projetos com o menor número possível de chips e conexões e, mesmo assim, agregar funcionalidades inéditas a eles. Os Apple 1 e 2 foram os primeiros computadores a darem uma resposta visual ao usuário por serem conectáveis a qualquer aparelho de TV (que fazia o papel de monitor) e facilitarem a entrada de dados por meio de um teclado rudimentar.

Vale salientar que Wozniak não desenvolveu o que seria o Apple 1 por dinheiro, tanto que ele reportava todos os avanços do projeto nas reuniões do Homebrew Club. Era um projeto aberto. Seu objetivo era construir uma máquina em que ele pudesse rodar seus próprios programas e criar jogos. Era um hobby, algo em que ele trabalhava após o expediente na HP.

Foi Jobs quem percebeu que esse projeto era bom o bastante para ser produzido e vendido a entusiastas. Surgia então a Apple Computers. Wozniak acabou deixando a HP e Jobs conseguiu a primeira encomenda de 100 unidades. Iniciava-se aí a história de uma das mais incríveis companhias do Vale do Silício.

O ponto forte do livro é a forma como Wozniak apresenta conceitos de eletrônica e do universo da computação de forma leve e direta. Muitas vezes ele repete esses conceitos para facilitar o entendimento. A adaptação da obra poderia ter sido melhor executada. Muitos trechos foram traduzidos de forma literal, o que faz com que alguns termos e frases soem estranho. Mas nada que comprometa a leitura.

Apple IIWozniak deixa bem claro nos capítulos finais que resolveu escrever esse livro pra consertar algumas inverdades ditas sobre ele, sobre Jobs e sobre a Apple durante todos esses anos. Em alguns pontos chega a ser  bem enfático, quase soberbo.

Além de reclamar seus méritos e confessar falhas, ele nos envolve com a fantástica história do alvorecer da indústria que tomou de assalto o mundo, os lares e a vida das pessoas. Mudando para sempre os rumos do nosso relacionamento com a tecnologia.  E, saber que tudo isso surgiu do intelecto e do trabalho duro de um garoto que na infância gostava de desmontar máquinas para ver como elas funcionavam, dá um sabor todo especial a qualquer geek ou nerd.

Por isso, iWoz é leitura obrigatória para engenheiros eletrônicos, profissionais da área de computação, empreendedores e todo mundo que possua um sonho, um projeto, um objetivo maior. As lições de perseverança, dedicação, ética e humanidade que Wozniak nos ensina são inestimáveis:

Espero que você tenha tanta sorte quanto eu. O mundo precisa de inventores – grandes inventores. Você pode ser um. Se você ama o que faz e tiver disposto a fazer o que for necessário, está dentro de seu alcance. E valerá a pena cada minuto que gastar sozinho à noite, pensando e trabalhando no que você deseja projetar e fabricar. Valerá a pena, eu prometo.

Enfim, da próxima vez que você ouvir o nome da Apple, lembre-se que houve mais de um Steve envolvido nessa trama…

Ficha Técnica

Título: iWoz – A verdadeira história da Apple segundo seu cofundador
Autor: Steve Wozniak
Ano: 2010
Gênero: Biografia
Editora: Evora
Número de Páginas: 308

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Vida, por Keith Richards

Capa do livro Vida, Keith RichardsQual o valor real de uma medalha de ouro se não existisse a segunda colocação ? Veja bem, não falo sobre rivalidades ou faço pouco caso do segundo colocado, pelo contrário. Na minha opinião, a vida não teria graça alguma se não houvessem dificuldades ou motivos pelos quais devemos batalhar para conquistá-los. Por trás de toda conquista, sempre existirão personagens secundários, mas não menores do que o próprio vitorioso.

Não me refiro apenas ao gato que perseguia o rato ou o Coiote obstinado a alcançar o Papa Léguas. Falo também do China, Batatinha, Catatau e Babalu, que sempre livravam seus respectivos companheiros – Hong Kong Fu, Manda Chuva, Zé Colméia e Pepe Legal – de enrascadas. Mas se os exemplos anteriores não serviram de explicação para esse texto, então troco todos por apenas um nome: Keith Richards.

Em “Vida”, biografia escrita pelo próprio músico, você conhecerá o homem por trás de todas as lendas. E posso adiantar, algumas delas são verdadeiras. Keith Richards escreve, em linhas soltas, destemidas e sem nenhum tipo de preconceito, sobre sua infância em Dartford e o interesse que adquiriu pela música através de seus avós, da primeira guitarra que sua mãe lhe deu e sobre seus músicos favoritos – Billie Holiday, Louis Armstrong, Duke Ellington e Scotty Moore.

Suas histórias são fascinantes e, mesmo que sigam uma linha de tempo, levam o leitor a diversos acontecimentos do seu passado sem tornar a leitura confusa ou sem nexo. Keith quer nos fazer conhecê-lo bem, quase torná-lo um amigo de anos, até que possa nos apresentar Mike Jagger, Ronnie Wood e Charlie Watts. Ele nos faz entender sua paixão pela música e trilhar pelos seus mesmos passos até os Rolling Stones.

“Essa é minha vida. Acredite se quiser, eu não esqueci de nada.”

Eu diria que, como em sua guitarra, Keith afinou as palavras em sua escrita de uma maneira própria. Modificada, não distorcida. Intrigante ao seu modo, mas sem deixar a sonoridade ferir nossos ouvidos. Direto, realista e transparente. Ame ou odeie, a verdade está escrita em todas suas páginas.

“Mas se você quer chegar ao alto, precisa começar de baixo, do mesmo jeito que tudo mais. Como gerenciar um puteiro.”

Escritor, compositor e pirata. Keith Richards não é apenas um músico, artista ou guitarrista por trás de uma banda. Ele é escoteiro, amante do róque, fã apaixonado, ex-viciado e possuí uma relação de amor/ódio com o vocalista da sua própria banda. Keef – como sua mãe costumava lhe chamar – é a concretização de um sonho que se tornou realidade. E diferente dos Beatles, esse sonho ainda não acabou.

“Você tem os Beatles. Mamães e papais amam os caras. Mas você deixaria sua filha se casar com uma coisa daquelas ?”

Ficha Técnica

Título: Vida
Autor: Keith Richards
Editora: Globo
Ano: 2010
Gênero: Biografia
Número de páginas: 672

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Top #5: Filmes Biográficos

Johnny & June (Walk The Line, 2005)
Johnny Cash e June Carter | Assista ao trailer

Curiosidade: os próprios, Johnny Cash e June Carter, escolheram Joaquin Phoenix e Reese Whiterspoon para os papéis, mas ambos não chegaram a ver o filme concluído.

Control (Control, 2007)
Ian Curtis e o Joy Division | Assista ao trailer

Curiosidade: o filme foi filmado todo em cores. Só depois de pronto foi editado para o preto-e-branco, pois se parecia mais com uma filmagem em Super-8, mesmo tendo sido em 35mm.

A Fera do Rock (Great Balls of Fire, 1989)
Jerry Lee Lewis | Assista ao trailer

Curiosidade: O próprio cantor, não aprovou o resultado final. Como defesa, o diretor indicou que sua intenção nunca foi se ater aos fatos reais.

La Bamba (La Bamba, 1987)
Ritchie Valens | Assista ao trailer

Curiosidade: Todas as músicas foram interpretadas pela banda norte-americana, Los Lobos.

A Festa Nunca Termina (24 Hour Party People, 2002)
Tony Wilson | Assista ao trailer

Curiosidade: Peter Hook, ex-baixista do Joy Division, afirmou.. “um filme sobre o maior escroto de Manchester, interpretado pelo segundo”.

Sobre o Top #5

Se você quiser participar, envie pra gente o seu Top #5 com as informações básicas (nome do filme, de quem se trata e uma curiosidade) que a gente publica aqui. Vale fazer Top #5 de qualquer coisa, é só mandar para top5@pipocamusical.com :)

Categorias:Filmes, Música Tags:,
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