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Posts Tagged ‘Documentários’

Metallica: Some Kind of Monster

Capa do DVDMetallica é uma das maiores e melhores bandas da face da terra. O Black Album não foi o primeiro CD deles, mas foi o primeiro CD que comprei com meu rico dinheirinho quando eu tinha sete anos. Era um presente pro meu irmão mais velho, mas o pôster ficou comigo e ouvi Nothing Else Matters até cansar.

Durante um ano os diretores Joe Berlinger e Bruce Sinofsky não desgrudaram do Metallica para criar este documentário. Some Kind of Monster vai fundo no relacionamento entre os membros da banda e começa em 2001, quando o Metallica vai para um estúdio gravar seu novo álbum.

No início das filmagens o baixista Jason Newsted deixa a banda, após 14 anos. Como o relacionamento entre os demais membros não é dos melhores, o empresário da banda contrata um psicólogo para ajudá-los a lidar com a situação. Mesmo com essa intervenção, o vocalista James Hetfield continua se desentendendo com o baterista Lars Ulrich. Hetfield acaba se internando numa clínica para tratamento de alcoolismo. Ele volta um ano depois, e só depois disso que o Metallica consegue gravar o novo álbum, St. Anger.

Este documentário faz tudo que os demais documentários de big bands fazem, sem deixar nada a desejar. Há conflitos, batalhas, desafios, dificuldades, nada é perfeito, mas contribui para o resultado da obra. Some Kind of Monster tem cenas marcantes, ótima direção e uma edição maravilhosa. Super recomendado pra quem é fã.

Ficha Técnica

Título: 
Metallica – Some Kind of Monster
Diretor: Joe Berliner, Bruce Sinofsky
Ano: 2004
Gênero: Documentário
Duração: 135 minutos

Amor? – De onde vem a dúvida do filme?

04/07/2011 Deixe um comentário

Agora que estamos a uma distância segura do dia dos namorados e suas promessas de amor eterno e perfeito, temos uma oportunidade propícia para falar do Amor?. Sim, amor, mas com uma interrogação no final. De onde vem a dúvida nesse filme?

Amor? é um documentário brasileiro dirigido por João Jardim e lançado em abril deste ano. Fruto de uma pesquisa de campo que durou um ano e coletou cerca de 60 depoimentos, o documentário reúne 8 histórias verídicas e interpretadas/narradas por grandes atores como Lilia Cabral, Du Moscovis, Ângelo Antonio e Julia Lemmertz. Histórias essas às vezes bastante inquietantes e que justificam o ponto de interrogação do título.

O ponto central de todos os depoimentos é simples: histórias de amores marcados por violência, seja da verbal, física ou moral. Quem nunca viveu ou acompanhou um relacionamento assim? Acredito que ninguém esteja imune, e essa é a parte que mais nos causa incômodo ao nos inteirarmos das histórias alheias: a possibilidade.

Sendo assim, você pode estar pensando que Amor? é um filme para os que tem estômago forte ou que gostam de muito drama, mas não é bem assim. As histórias dos outros servem para pensarmos nas nossas, para refletirmos a respeito dos limites que separam um relacionamento saudável de um nocivo, além dos nossos próprios limites na vida. Por exemplo: se você estivesse extremamente apaixonado(a) pelo seu par, aceitaria que ele te batesse por algum motivo? Tem certeza? Que tipo de violência você já sofreu? Por quê? E assim por diante. Os questionamentos são inúmeros.

Claro, já deu pra perceber que o documentário nunca vai passar na Sessão da Tarde, e é preciso estar com espírito para assisti-lo. Se você se desconcentrar por 10 segundos perde o fio da meada e a história fica sem sentido, mas tudo é contado com tanta naturalidade que é difícil desgrudar o olho da tela mesmo nos depoimentos menos interessantes. Vale a pena. Tanto para quem simplesmente gosta de ouvir histórias (bem) reais quanto para quem tenta tirar algum significado do que ouve. Na melhor das hipóteses, Amor? vai te fazer sentir bem por ter a vida que leva. Foi o que aconteceu comigo.

Ficha técnica
Título: Amor?
Diretor: João Jardim
Ano: 2011
Gênero: Documentário
Duração: 90 minutos

The September Issue

07/06/2011 Deixe um comentário

O meu (vago) interesse pelo mundo da moda é bem recente, e aparentemente o do cinema também. Nos últimos anos foram lançados filmes e documentários a respeito de nomes como Coco Chanel, Valentino, Lagerfeld e, claro, o famoso O Diabo Veste Prada, inspirado na experiência de Lauren Weisberger na indústria da moda ao lado de Anna Wintour. Espera aí, mas quem diabos é a diaba Anna Wintour? É a editora-chefe da Vogue estadunidense há mais de 20 anos e a pessoa mais influente e poderosa do mundo da moda. “Só” isso. Uma mulher que não poderia ser deixada de lado nessa leva de filmes, portanto.

The September Issue é um documentário, como o próprio nome já sugere, a respeito da edição histórica de setembro de 2007 da Vogue – a maior edição de todos os tempos da revista. Logo na primeira cena temos uma declaração interessante da sra. Wintour, saca só:

I think what I often see it that people are frightened about fashion. Because it scares them or make them feel insecure they just put it down. On the whole people that may say, the meany things about our world I think that’s usually because they feel, in some ways, excluded or, you know, not a part of ‘the cool group’ so as a result they just mock it. Just because you like to put on a beautiful Carolina Herrera dress or a pair of J Brand blue jeans instead of something basic from K-Mart it doesn’t mean that you’re a dumb person. There is something about fashion that can make people really nervous.

Ou um resumo no bom e velho português: as pessoas se sentem assustadas e/ou inseguras com a moda, então optam por deixá-la de lado. As coisas ruins e piadas que dizem a respeito desse mundo são devidas ao sentimento de exclusão que desperta nas pessoas. Mas que, para ela, o fato de você gostar de usar roupas de grife em vez de populares não quer dizer que você seja uma pessoa estúpida.

No documentário acompanhamos todo o processo de criação e edição da revista, o qual é bem menos glamuroso do que podemos imaginar. O escritório da Vogue, por exemplo, não é luxuoso: seus corredores ficam apinhados de roupas e acessórios e seus empregados não são lindos, maravilhosos e extremamente arrumados como nossa fantasia poderia apontar.

O que mais chama a atenção, de fato, são as pessoas. Além da lendária Anna, com sua fama de má e fria (um tanto quanto exagerada, eu diria), há Grace Coddington que, com sua personalidade e coragem para enfrentar a editora, rouba a cena. Sem contar os grandes estilistas e fotógrafos que dão o ar de sua graça, como Oscar de La Renta, Vera Wang, Mario Testino, Jean-Paul Gaultier, John Galliano e Karl Lagerfeld. É curioso ver essas pessoas notórias no dia-a-dia de trabalho, sem flashes pipocando e superproduções.

Também é curioso perceber o poder que uma única pessoa, Anna, tem em suas mãos. Em cinco minutos ela decide quais serão as peças-tendência que deverão receber atenção e, por conseqüência, influencia toda a indústria da moda. Curioso e um pouco assustador. Ao mesmo tempo, também nos é mostrado um pedacinho da sua vida particular, mais “humana”, como a relação com sua bela filha, Bee Shaffer – que ironicamente não quer seguir os passos da mãe.

Em suma, o documentário é bem dirigido e interessante, até mesmo para quem não tem lá muito interesse em moda. Pessoalmente, achei bacana acompanhar um pouco da rotina de um mundo tão distante do meu; é bom ampliar um pouquinho seus horizontes e ter novas perspectivas a respeito das coisas, não acham? Por mais que você possa acabar pensando “nossa, quanta futilidade”. Ou não ;)

 

Ficha Técnica
Título: The September Issue
Diretor: R.J.Cutler
Ano: 2009
Gênero: Documentário
Duração: 90 minutos

Botinada, A Origem do Punk no Brasil

Botinada é o resultado de 4 anos de pesquisa, 77 pessoas entrevistadas, milhares de horas nas ilhas de edição, 200 horas de vídeo e muitas imagens raras e inéditas. Produzido pela St2 Video e dirigido por Gastão Moreira, ex-VJ da MTV, o documentário mostra o surgimento do movimento e cena punk no Brasil na década de ’70.

Outros documentários sobre esse mesmo tema já foram apresentados aqui no Brasil, tendo em destaque Garotos do Subúrbio (1983) dirigido por Fernando Meirelles – o mesmo diretor de Cidade de Deus e Ensaio Sobre a Cegueira.

Mas, voltando ao assunto, o diferencial de Botinada é de que as histórias são contadas pelos próprios entrevistados que narram o que era o Punk naquela época, o surgimento do movimento pela Capital paulista, a chegada dos vinis e fitas K7 e sobre os primeiros shows das bandas que deram início à cena musical brasileira.

Na minha opinião, o destaque do documentário se dá aos capítulos que contam a rivalidade entre as gangues da Capital (São Paulo) e região do ABC (Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul), fato que contribuiu – e muito – para a vista feia da mídia e política daquela época. Afinal, estamos falando de uma cultura que contrariava, naquela época, os meios políticos e sociais de uma ditadura militar.

“Se o punk é o lixo, a miséria e a violêcia, então não precisamos importá-lo da Europa, pois já somos a vanguarda do punk em todo mundo.” – Chico Buarque

Foi lançada uma edição especial (DVD+CD) para as contendo a trilha sonora com as bandas participantes do documentário, mas que no entanto já está esgotada no fornecedor. O CD contém as seguintes faixas:

1. “Oi Tudo Bem?” (Garotos Podres)
2. “Nada” (Olho Seco)
3. “Pânico em SP” (Inocentes)
4. “Vivo na Cidade” (Cólera)
5. “Agressão/Repressão” (Ratos de Porão)
6. “Festa Punk” (Os Replicantes)
7. “O Punk Rock não Morreu” (Lixomania)
8. “Desemprego” (Fogo Cruzado)
9. “Restos de Nada” (Restos de Nada)
10. “Trabalhadores Brasileiro” (Espermogramix)
11. “John Travolta” (AI-5)
12. “Bem Vindos ao Novo Mundo” (Condutores de Cadáver)
13. “Câncer” (Hino Mortal)
14. “Brasil (Desordem e Regresso)” (Rephugos)

Então, se você sente falta dos moshes e stages diving da sua adolescência, garanta já o seu DVD nas diversas lojas de compra online, pois vale muito a pena ter esse documentário em casa. A coelha (@mooritz) da minha Páscoa já garantiu o meu :)

Ficha Técnica

Título: Botinada, A Origem do Punk no Brasil
Diretor: Gastão Moreira
Ano: 2006
Gênero: Documentário
Duração: 110 minutos

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