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A Garota da Capa Vermelha (Red Riding Hood)

Eu assisti ao filme A Garota da Capa Vermelha (Red Riding Hood) mais pelo charme da direção de arte do que pela história. O filme faz uma releitura moderninha do conto de fadas Chapeuzinho Vermelho, carregada de romance, insinuações, mistérios e segredos.

Valerie (Amanda Seyfried) vive em um vilarejo que negocia a paz com o Lobo, oferecendo sacrifício. Ela é perdidamente apaixonada por Peter (Shiloh Fernandez), seu amigo de infância, mas está prometida em noivado para Henry (Max Irons), um jovem cuja família pode lhe oferecer uma vida melhor.

Chega o dia em que o Lobo rompe o trato e ataca uma garota da vila, cujo corpo é encontrado no meio de um campo de trigo. Os habitantes da vila entram em desespero e pedem ajuda para o Padre Solomon (Gary Oldman). O padre conta a todos que o Lobo não é uma “criatura” – é uma pessoa transformada e, enquanto a lua sangrenta percorre o céu, o Lobo pode transformar qualquer pessoa com apenas uma mordida. Essa ideia desencadeia uma série de desconfianças entre os moradores da vila, pois qualquer um pode ser o Lobo.

Paralelo a isso, a história se desenrola com o amor não correspondido de Henry, a paixão proibida de Valerie e Peter, segredos familiares, descobertas pessoais e intrigas. E até rola um diálogo clássico de “que olhos grandes você tem”. A cena de abertura é bonita e diz muito sobre a personagem principal.

Achei legal o fato de o filme brincar a todo momento com a identidade do vilão da história, tornando a revelação um ato mais atraente. Infelizmente a diretora Catherine Hardwicke (sim, a mesma de Crepúsculo) não obteve o melhor de seu elenco, as atuações do filme são muito fracas. Além disso, a fotografia do filme é tão escura quanto um quarto negro, só dá pra ver alguma coisa nos cenários externos. O capricho ficou a cargo da arte mesmo, que definiu e reaproveitou perfeitamente os elementos visuais do filme.

No resumo, A Garota da Capa Vermelha tem uma direção de arte linda, trilha sonora legal e coerente, história com bom desfecho, mas peca nas atuações. Se você não se importar com isso e prometer não lembrar de Crepúsculo em cada tomada aérea na floresta, vai em frente :-)

Ficha Técnica

Título: A Garota da Capa Vermelha (Red Riding Hood)
Diretor: Catherine Hardwicke
Ano: 2011
Gênero: Fantasia
Duração: 100 minutos

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O fim de uma saga no cinema: Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte II

Eu já falei aqui o que Harry Potter significa para mim. A série literária foi um fenômeno e teve um papel importantíssimo na formação de novos leitores. Eu estava lá dez anos atrás lendo o primeiro livro e me deliciando com o humor e a aventura de cada página. A empolgação pela chegada do último filme é facilmente substituída pelo pesar em saber que é o fim da saga nos cinemas. Harry Potter é uma das séries mais completas que existem – que respeitou o material original ao mesmo tempo em que buscou visões diferentes para contar a história do menino bruxo.

Queria poder falar de todos os filmes, um a um, mas o assunto de hoje é Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte II. O livro continha tantos detalhes importantes para fechar a história, que talvez não fosse mesmo possível contá-la como deveria em apenas um filme. Some isso à indústria cultural existente em torno da série e temos a divisão da história em dois filmes. A primeira parte, lançada no final do ano passado cumpriu de forma excepcional todos os critérios para emocionar, surpreender e acelerar o coração de qualquer fã. E a qualidade técnica é indiscutível.

Em Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte II, Harry (Daniel Radcliffe) dá continuidade à busca pelas horcruxes e elimina-as uma a uma, enquanto se despede de amigos e defensores leais a cada batalha. O poder de Voldemort (o brilhante Ralph Fiennes) cresce ameaçadoramente, enquanto a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts agora está sob o comando de Snape (Alan Rickmann).

A primeira metade do filme merece elogios desde o primeiro segundo. A invasão do Banco de Gringotes é fascinante em todos os aspectos. Desde o preparo para a invasão, onde Hermione se transforma em Bellatrix (e Helena Bonham Carter impressiona o público com todos os trejeitos delicados de Emma Watson), até a fuga com o dragão que guarda o Banco.

Um dos objetos que Harry procura está em Hogwarts e ele precisa entrar no castelo. Sua presença é rapidamente sentida e o vilão ameaça invadir a escola. Sem palavras para descrever a cena em que os professores de Hogwarts se juntam para proteger o castelo, uma maravilhosa retratação do que nós, leitores, imaginamos enquanto líamos o livro. Só assistindo para entender.

O destino de Snape chega em uma cena forte, tensa. E as memórias de Snape mostrando seu relacionamento com a família de Harry, emocionam. A cena conseguiu resgatar a imagem de um personagem que, até o último segundo, foi mal interpretado.

E tenho certeza de que não preciso me alongar ao falar sobre a trilha sonora, tão perfeita, tão épica, crescendo e tornando-se cada vez mais obscura enquanto acompanha o destino dos personagens. Não é obra de John Williams, mas Alexandre Desplat faz um excelente trabalho, e ainda usa o tema criado há 10 anos atrás, vital para o fim da saga.

Da metade pra frente, no entanto, senti falta do ímpeto e da criatividade que só o cinema pode conceder à uma história. Faltou a liberdade criativa que poucos escritores concedem aos roteiristas de cinema. Tantas vezes antes vimos uma cena de Harry Potter nos surpreender por ser tudo aquilo que imaginávamos e muito mais. Aqui, cenas importantes tiveram sua presença reduzida à um feitiço, e tudo se atropelou, ao invés de manter aquele sentimento que a gente gostaria de prolongar. Num piscar de olhos, o fim da história chegava. E nem foi de mansinho.

Queria ter sentido mais daquela agonia que senti durante Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte I, mas a saga se despede muito bem dos cinemas, deixando aquela saudade em todos os corações que cresceram e amadureceram ao lado de Harry Potter, Ron Weasley e Hermione Granger.

Aqui cabe um comentário de fã, totalmente parcial: seja como for, Harry Potter vai deixar (muitas) saudades. Hogwarts sempre estará lá para aqueles que precisarem dela. E para aqueles que a merecem.

Curiosidade: Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte II supera US$ 830 milhões em seu segundo fim de semana em cartaz.

Ficha Técnica

Título: Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte II (Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 2 )
Diretor: David Yates
Ano: 2011
Gênero: Aventura, Fantasia
Duração: 130 minutos

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Harry Potter – A Magia do Cinema

Harry Potter – A Magia do Cinema

Eu cresci lendo, relendo e lendo mais uma vez Harry Potter. Nunca perdi uma estreia, nunca fechei a mão para cacarecos maneiros de Hogwarts e seus alunos. Eu não comprei nenhum DVD da série até agora, porque tenho esperança de que seja lançado um box de colecionador ultra-mega-gold-fucking-awesome que nem aquela versão estendida do Senhor dos Aneis.

Sim, eu fiz e ainda faço parte da indústria cultural que se aproveita de Harry Potter. E quer saber? Eu amo quando um filme novo está chegando (agora a última parte), porque sempre pipocam coisas muito legais sobre a série.

Já deu para vocês perceberem o que tá pegando né? Eu estava de passagem em uma livraria como quem não quer nada, quando vi um livro lindo e grande sobre Harry Potter. Dei uma olhada, vi que ele era mais larguinho e pensei que se tratasse daqueles livros infantis que, quando você abre, monta-se uma estrutura de papel na sua frente, sabe? Não era.

Eu vi o livro mais assustadora e encantadoramente bem diagramado de todos os meus breves 20 anos (19, 20 só mês que vem). Páginas e mais páginas com um 234234234 zilhões de fotos, croquis, desenhos, storyboards, conceitos, rabiscos, malhas e – CARA – muitos anexos. O livro tinha aquela largura estranha porque tem tantos anexos quanto a série poderia gerar.

Veio o Mapa do Maroto! E o convite do Baile de Inverno! E também a programação da Copa de Quadribol, e não vou nem falar na carta de convite para Hogwarts. Tudo em uma embalagem delicada de papel fosco. Esses anexos são em inglês, mas o livro todinho é em português, e traz pilhas de entrevistas, citações, perfis, detalhes técnicos, artísticos, criativos, conceituais, enfim – tudo sobre o universo do Harry Potter.

Então neste post quero agradecer à Panini Books por me fazer suspirar e lembrar da emoção que foi acompanhar toda a série da J. K. Rowling com tanta dedicação. É um material incrível, com muito conteúdo excelente e não-óbvio sobre a saga (quero dizer, com isso, que não se trata de um pôster com a ficha completa do Daniel Radcliffe, sacou?).

Me desculpem pelas fotos em baixa qualidade e a luz tosca em cima. Não encontrei fotos internas do livro e optei por tirar eu mesma.

Ficha Técnica

Título: Harry Potter – A Magia do Cinema
Autor: Brian Sibley
Ano: 2011
Gênero: Fantasia
Editora: Panini Books
Número de Páginas: 158

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Percy Jackson e Os Olimpianos: O Ladrão de Raios

Desde que assisti ao filme “O Ladrão de Raios” no cinema, em fevereiro de 2010, criei uma resistência automática à série “Percy Jackson e Os Olimpianos”, tamanha foi a decepção com o filme. Erro meu julgar que o livro seria tão ruim quanto o filme, tendo em experiência que nunca é.

O livro me surpreendeu, pelo tanto que me envolveu a ponto de eu não largar “O Ladrão de Raios” por três dias seguidos. A narrativa é cativante, empolgante e em primeira pessoa – você sabe tudo o que se passa na cabeça de Percy Jackson, e morre de curiosidade em imaginar os pensamentos de sua melhor amiga. É uma perspectiva que geralmente dá certo.

Percy é um garoto de doze anos que sofre de dislexia e déficit de atenção, além do histórico de expulsão de seis colégios diferentes. Quando termina o ano letivo, resolve viajar com sua mãe para uma cabana de praia onde ela conheceu o pai dele anos atrás. Na primeira noite, repleta de raios e trovões, uma série de eventos levam Percy Jackson a reencontrar um amigo do colégio, separar-se de sua mãe e ir parar em um acampamento de treinamento especial. Uma vez lá dentro, ele descobre que é filho de um deus grego – sua mãe teve um relacionamento com algum deus do Olimpo que ele não sabe quem é.

Após descobrir que um dos deuses proibidos de pular a cerca é seu pai, Percy é notificado de que alguém roubou o raio-mestre de Zeus e Percy, filho do deus suspeito de tapear Zeus, precisa ir atrás desse instrumento e devolver ao dono. O livro destaca o personagem provido de sarcasmo, que custa a acreditar que deuses existem e que estão vivos, mas parte em busca do raio roubado com seu amigo sátiro e a filha de Atena, Annabeth.

Por ser um livro infanto-juvenil, algumas identidades dos deuses não são completamente exercidas: Dioniso é mau humorado e ranzinza, porque lidera um acampamento de crianças e precisa cultivar morangos, ao invés de suas uvas, mas essa abordagem não é completamente ruim, ela é moderna. O acampamento é interessante e possui 12 chalés, cada um pertencente a um deus, que abriga ali seus filhos. Em geral o livro peca em detalhes, novamente em prol do seu público, que provavelmente não aguentaria mais de dois parágrafos falando de um galho quebrado na floresta como o mestre Tolkien faz. Resta ficar com a imaginação.

As comparações com Harry Potter são inevitáveis. Até o ritmo da história percorre um caminho já traçado por J.K. Rowling, mas é um livro indicado para quem gosta de fantasia, e mais indicado ainda para quem admira a cultura grega – os personagens não são fiéis, mas são modernos, e essa adaptação é intrigante. O livro bebe de uma fonte magnífica e infindável que é a mitologia grega e enriquece a obra, dando seu ponto de vista sobre a humanidade e valores sociais com uma abordagem diferenciada.

Ficha Técnica

Título: Percy Jackson e Os Olimpianos – Livro 1: O Ladrão de Raios
Autor: Rick Riordan
Ano: 2005
Editora: Intrínseca
Gênero: Fantasia
Número de Páginas: 385

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