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Posts Tagged ‘Jeff Bridges’

Dê ao seu coração louco mais uma tentativa

Poster Coração Louco (Crazy Heart)

Coração Louco é um filme altamente sedutor. Jeff Bridges está absolutamente fabuloso na pele de Bad Blake, um famoso cantor e compositor, em fase de decadência. Dono de uma voz forte, Bridges tira de letra todas as músicas que canta no filme.

O filme conta a vida de Bad Blake, um compositor conhecido como “caubói do amor”. Sua personalidade já é delineada nos primeiros segundos do filme, quando ele sai de sua picape velha, com a manga da blusa rasgada, cinto desafivelado, jogando no chão uma garrafa de urina e xingando a terceira geração de seu empresário. Um antigo boliche no meio do nada é o palco do seu próximo show, mas antes, uma garrafa de whisky por favor. Alcóolotra, Bad afunda os pensamentos na bebida e no cigarro, sem ligar para o dia de amanhã.

Blake vive de suas composições famosas, negando o sucesso de seu pupilo e ex-parceiro Tommy Sweet (Colin Farrell), um jovem que o reverencia e nutre por ele um carinho respeitoso. Embora o reconhecimento parta sempre de Tommy, Blake não parece muito interessado em papo com o queridinho da América, que o assedia para fazer novas composições.

Bad Blake e Jean

Mesmo ranzinza, Blake é famoso e, portanto, raramente dorme sozinho nos moteis baratos onde se hospeda, aproveitando o melhor de sua fama. Parando de cidade em cidade para fazer shows com bandas locais no sul dos EUA, Bad Blake para em Santa Fé para um show e conhece uma jovem jornalista, Jean (Maggie Gyllenhaal), a quem concede uma entrevista. Tomado por uma paixão repentina pela mulher, seu coração – marcado por perdas pessoais que se revelam aos poucos – acende.

Bad Blake

Coração Louco encanta até os corações mais duros. O filme é sensacional, repleto de diálogos bem estruturados, emocionantes e sinceros, acompanhados de uma direção de arte espetacular. A trilha sonora é embalada por composições tocantes – muito bem interpretadas pelo elenco principal. E falando no elenco, Jeff Bridges está absolutamente brilhante. Parte do seu brilho, vale observar, se deve à química com Maggie Gyllenhaal, que responde muito bem às cenas com Jeff.

Sinceramente apaixonante. Recomendo Coração Louco a todos que valorizem uma bela história e apreciem uma boa música.

Ficha Técnica

Título: Coração Louco (Crazy Heart)
Ano: 2009
Gênero: Drama
Diretor: Scott Cooper
Duração: 112 min

Bravura Indômita renova o espírito do velho oeste

Personagens de Bravura Indômita

No geral não sou muito fã de westerns, filmes de faroeste, e coisas deste gênero. No entanto, fiquei imensamente atraída pelo caolho Jeff Bridges no pôster e imediatamente fui fisgada pelo enredo. Fiquei surpresa com o ritmo do filme, que alterna entre humor e aventura, evidenciando o talento do trio principal.

Mattie Ross (a brilhante novata Hailee Steinfeld) é uma garota de 14 anos que busca vingança para a morte do seu pai. O responsável pelo assassinato, Tom Chaney (Josh Brolin), fugiu para além do território indígena, onde não há jurisdição para a justiça de Mattie. Sem a ajuda da polícia local, Mattie acaba contratando o melhor e mais cruel Delegado Federal (US Marshall) que encontra: Reuben “Rooster” Cogburn (Jeff Brigdes), um velho caolho, bêbado e sem papas na língua que aceita a oferta relutantemente. A personalidade de Cogburn casa perfeitamente com a determinação e coragem da pequena.

Junto a isso, surge em cena o Texas Ranger LaBoeuf (Matt Damon), um outro federal que também está atrás de Chaney, a troco de uma recompensa pela sua captura por ter matado um senador. Inicialmente em uma parceria com Cogburn, LaBoeuf abandona o barco ao ver que a menina está tão determinada a condenar Chaney pela morte de seu pai que não aceitará julgá-lo por outro crime que não o homicídio de seu pai, separando-se então da dupla.

Jeff Bridges em Bravura Indômita

Enquanto o alvo da caçada se afasta cada vez mais, o filme explora a convivência de Mattie e Cogburn, apresentando os defeitos e as qualidades de cada personagem e nos convence, pouco a pouco, do valor e do papel de cada um. Até as cenas com os maltrapilhos de Chaney, o filme se aproveita dos detalhes e fornece reviravoltas, envolto em uma segurança e maturidade do roteiro.

Além disso, a estreante Hailee Steinfeld conseguiu transformar a pequena Mattie em uma mulher determinada, fazendo com que não haja nenhum obstáculo entre ela e seu objetivo. Elogios também não faltam a Jeff Bridges, que parece ter se sentido muito confortável no papel do rabugento. Acho que ele se dá bem com papéis assim.

Com uma excelente fotografia e figurino impecável, Bravura Indômita define seu espaço como um western moderno, confiante e autoritário.

Ficha Técnica

Titulo: True Grit
Diretor: Ethan Coen, Joel Coen
Ano: 2010
Gênero: Aventura, Western
Duração: 110 minutos

Tron: Uma Odisseia Eletrônica (1982)

Puxar o tapete dos outros parece ser a missão de vida de muitas pessoas. E as vítimas são, muitas vezes, incompreendidas por quem decide quem fica e quem sai. Em Tron: Uma Odisseia Eletrônica, não é diferente.

Kevin Flynn (Jeff Bridges) é um jovem engenheiro de softwares que desempenha horas e horas em desenvolvimento para videogames na ENCOM, uma grande corporação tecnológica. Tanta inteligência assim chama a atenção do ambicioso Ed Dillinger (David Warner), que rouba estes projetos e os apresenta como seus, sendo então promovido a vice-presidente.

Kevin invade o servidor da ENCOM com a ajuda de dois amigos: Alan Bradley (Bruce Boxleitner) e Lora Baines (Cindy Morgan). A invasão é detectada pelo MCP – programa de segurança da ENCOM e a ameaça é destruída.

Em suas pesquisas, a Dra. Lora vinha aperfeiçoando um laser que poderia digitalizar objetos do mundo real e materializá-los no mundo digital, e este laser acaba por transportar Kevin para dentro do computador, onde ele conhece outros softwares, cujas aparências se assemelham às de seus criadores, os Usuários.

“On the other side of the screen, it all looks so easy.” (Kevin Flynn)

Tron é o programa de segurança criado por Alan Bradley para assegurar que o MCP funcionaria corretamente, mas com a tirania do MCP, Tron ajuda Kevin a destruir o vírus. Dentro do mundo digital, ou Flynn aceita o MCP como seu novo mestre ou compete até a morte em batalhas que envolvem lightcycles, discos e jogo de pong muito maneiros, tudo aproveitando a tecnologia 8 bits da época.

Tron se tornou um filme cult pelos efeitos especiais diferenciados, pela proposta futurista repleta de neons cansativos à vista, além de ser o primeiro a apresentar a realidade virtual em uma situação direta com um ser humano.

Apesar de não ser “o clássico”, ganhou um lugar de respeito na história do cinema. Não é o melhor filme que você já viu, mas assisti-lo vai ajudá-lo a apreciar mais ainda a obra Tron: Legacy que saiu nos cinemas em 2010.

Ficha Técnica

Título: Tron: Uma Odisseia Eletrônica (Tron)
Diretor: Steven Lisberger
Ano: 1982
Gênero: Ficção Científica
Duração: 96 minutos

OSCAR 2011: Premiações da noite do Oscar

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood concede, ano após ano, prêmios para os principais (e melhores?) produtos do cinema. Algumas estatuetas são bem previsíveis. Quando Toy Story 3 entrou na disputa por melhor longa-metragem de animação por exemplo, eu sabia que não tinha pra ninguém. Além deste, o filme levou pra casa o prêmio de melhor canção original. Meu lado criança gostaria muito que tivesse ganho o Oscar de melhor filme, mas é óbvio que isso não iria acontecer. A Academia optou pelo convencional, como sempre. Sempre achei que os Oscars deveriam ser dados pela relevância ao público, e não apenas pelo gosto tradicional e politizado da Academia.

A cerimônia foi realizada no Teatro Kodak e teve como apresentadores o casal James Franco e Anne Hathaway. A mocinha trocou de vestido 8 vezes e chamou a atenção de toda a imprensa fashionista com seus modelos Versace, Valentino, Givenchy, Armani e etc. A química dos dois foi muito melhor nos vídeos promocionais do que na hora da premiação, onde James ficou ausente e Anne estava numa alegria inimaginável. Recomendo que você assista um dos vídeos promocionais, onde James diz que até conseguiria chorar na hora, e Anne rebate indignada que precisa se trocar 17 vezes.

Dentre os maiores premiados da noite, temos A Origem, de Christopher Nolan, que levou quase todos os prêmios técnicos (efeitos visuais, fotografia, mixagem e edição de som) e O Discurso do Rei, indicado em 12 categorias – que levou as estatuetas mais cobiçadas de melhor filme, melhor ator, melhor diretor e melhor roteiro original.

A Rede Social, de David Fincher, recebeu três Oscars – melhor roteiro adaptado, melhor trilha sonora original (!!!???) e melhor edição. O Vencedor, de David O. Russell ganhou destaque para sua equipe coadjuvante, Melissa Leo e Christian Bale. Alice no País das Maravilhas, do Tim Burton, recebeu prêmios merecidos de melhor direção de arte e melhor figurino. Ainda não me conformo de Cisne Negro não ter concorrido nessa categoria, mas vamos em frente.

E falando em Cisne Negro, Natalie Portman recebeu prêmio de Melhor Atriz. A futura-mamãe desbancou candidatas fortíssimas e recebeu o prêmio das mãos de Jeff Bridges, agradecendo o papel mais importante de sua vida. O filme tem direção de Darren Aronofsky, e levou apenas esta estatueta.

As piadinhas que pipocaram foram as mais legais. Teve gente dizendo que Colin Firth perdeu a chance de fazer o discurso gaguejando ao receber o Oscar de melhor ator. E que “já pensou se os caras do Inception ganham todos os Oscars, mas na verdade era um Oscar só e eles sonharam esse Oscar dentro do outro Oscar?“. Natalie Portman ganhou o Oscar de melhor atriz, um namorado e um bebê. Até o decote (aliás, a falta de um) de Scarlett Johansson foi comentado. Piadinhas não faltaram e tornaram a noite de quem acompanhou via tv/facebook/twitter, muito mais divertida.

Confira a lista completa:

– Melhor filme: O Discurso do Rei
– Melhor diretor: Tom Hooper (O Discurso do Rei)
– Melhor ator: Colin Firth (O Discurso do Rei)
– Melhor roteiro original: O Discurso do Rei
– Melhor fotografia: A Origem
– Melhor mixagem de som: A Origem
– Melhor edição de som: A Origem
– Melhores efeitos visuais: A Origem
– Melhor edição: A Rede Social
– Melhor roteiro adaptado: A Rede Social
– Melhor trilha sonora original: A Rede Social (Trent Reznor e Atticus Ross)
– Melhor atriz coadjuvante: Melissa Leo (O Vencedor)
– Melhor ator coadjuvante: Christian Bale (O Vencedor)
– Melhor longa-metragem de animação: Toy Story 3
– Melhor canção original: We Belong Together (Toy Story 3)
– Melhor direção de arte: Alice no País das Maravilhas
– Melhor figurino: Alice no País das Maravilhas
– Melhor atriz: Natalie Portman (Cisne Negro)
– Melhor curta-metragem de animação: The Lost Thing (de Shaun Tan, Andrew Ruheman)
– Melhor filme de língua estrangeira: Em um Mundo Melhor (Dinamarca)
– Melhor maquiagem: O Lobisomem
– Melhor documentário em curta-metragem: Strangers no More
– Melhor curta-metragem: God of Love
– Melhor documentário (longa-metragem): Trabalho Interno

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