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“Amor a Toda Prova”: elenco afiado e roteiro bem feito.

Steve Carel e Juliane Moore em jantar romântico

Já falei da Emma Stone algumas vezes, ou tantas vezes que as pessoas me mandam todo e qualquer trailer em que a ruiva apareça, mesmo que por um segundo. Realmente, o jeito divertido e a interpretação natural de Emma me conquistaram meses atrás, quando assisti a excelente comédia “A Mentira”, uma indicação da Joyde aqui no Pipoca Musical. Em Amor a Toda Prova, Emma não é o ponto central da trama, mas dá um excelente show como coadjuvante.

Cal (Steve Carell) é um homem que pensava ter tudo sob controle, até que vê seu casamento indo para o espaço quando sua esposa (Julianne Moore) confessa que o traiu e pede a separação. Com a moral no fundo do poço, Cal busca consolo na bebida dia após dia em um bar local. É quando ele conhece Jacob (Ryan Gosling, de Namorados para Sempre, fantástico), o maior pegador da face da terra, que oferece ajuda para ensinar Cal como ser feliz e confiante, para provar a si mesmo que a vida continua.

Depois de jogar no lixo as roupas velhas, o tênis fora de moda e começar a usar ternos sob medida, Cal começa a interagir com outras mulheres fazendo uso dos sábios conselhos de Jacob – nunca fale muito de si, ouça sempre o que a mulher tem a dizer, seja gentil, e saia do bar acompanhado dela.

Em paralelo, conhecemos Hannah (Emma Stone), uma aluna de Direito extremamente dedicada, que tenta levar seu relacionamento pra frente, quando percebe que nunca vai sair do lugar. Ela chuta o balde e vai atrás de Jacob, que cantou ela num bar alguns dias antes.

Ryan Gosling sentado ao bar

É muito divertido ver Cal retomando o controle da sua vida, mesmo que do seu jeito. Várias mulheres – uma mais descontrolada do que a outra – caem no papo do quarentão, mas ele ainda gosta de sua ex-mulher e esse sentimento deixa o filme bonitinho. Juliane Moore (que recentemente fez “Minhas mães e meu pai”, que comentamos aqui também) faz bem seu papel e apresenta ótima química com Steve Carell.

Também tem o pequeno Robbie (Jonah Bobo), o filho de Cal que é apaixonado pela babá Jessica (Analeigh Tipto) que, por sua vez, nutre um amor maluco pelo quarentão. Mas a melhor cena é, sem dúvida, a sequência final, que dá dor no estômago de tão engraçada, e de quebra revela segredos da trama (sério, sem clichês).

Além do timing das piadas e das sequências bem produzidas, Amor a Toda Prova é um show de interpretação do elenco afiado e em sintonia. Hannah é cheia de energia, engraçada, charmosa. Jacob é inteligente, sedutor e malicioso. E Cal, mesmo desajeitado é um apaixonado.

Mesmo com o caráter “alternativo”, Amor a Toda Prova agrada a quem assiste, diverte todo mundo e ainda faz a gente pesar as atitudes que temos sem perceber. Afinal de contas, lá no fundo, somos todos apaixonados.

Ficha Técnica

Título: Amor a Toda Prova (Crazy, Stupid, Love)
Diretor: Glenn Ficarra, John Requa
Ano: 2011
Gênero: Comédia, Drama
Duração: 118 minutos

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Minhas mães e meu pai

Minhas Mães e Meu Pai tinha tudo para ser uma comédia, mas assume um tom dramático em poucos minutos na tela. O filme trata de uma família não convencional composta de um casal de lésbicas e duas crianças, que passam a ter um novo integrante em suas vidas – o pai biológico.

Nic (Annete Benning) e Jules (Julianne Moore) estão casadas há quase 20 anos e conceberam seus dois filhos através de inseminação artificial. Joni (Mia Wasikowska, a Alice de Alice in Wonderland) é uma adolescente excepcionalmente inteligente e tímida que fez 18 anos e, dentro de um mês, vai se mudar para o campus da faculdade. Por lei, já tem idade para solicitar à clínica médica os dados do seu pai biológico, mas ela não quer fazer isso para não magoar suas mães. É Laser (Josh Hutcherson), seu irmão mais novo, quem implora para procurá-lo. Os dois levantam os dados e marcam um encontro para conhecer Paul (Mark Ruffalo), solteirão, dono de um restaurante e de sua própria horta de orgânicos – seu pai.

Depois de um primeiro encontro estranho – mas que flui muito bem – Paul começa a ver mais vezes seus dois filhos. Nic – controladora, líder e dona de si mesma – vê algo muito errado no homem que ameaça desestabilizar sua família. Jules, que inicia uma nova vida profissional como paisagista, tem como primeiro cliente Paul e a coisa desanda. As crianças estão bem, mas o pano de fundo é outro. O casamento e a família de Nic e Jules começam a sofrer com as interferências de Paul.

Julianne Moore traz fragilidade para sua personagem, e esta se encaixa muito bem na história, já que ela sofre com a falta de comunicação com sua esposa. Annette Bening, por sua vez, dá um show de interpretação com sua postura masculinizada, sempre tomando controle da família, orientando as regras dentro de sua casa. Mark Ruffalo não fica pra trás com o papel de homem auto-suficiente.

Minhas Mães e Meu Pai vai bem enquanto mantém os cinco em ligação, mas peca quando começa a deixar um dos integrantes pra trás. Seu olhar sobre a família moderna é válido, mas fica a lição de que – não importa a estrutura – a falha de comunicação acontece com todos, e pode arrasar lares.

Ficha Técnica

Título: Minhas Mães e Meu Pai (The Kids are All Right)
Diretor: Lisa Cholodenko
Ano: 2010
Gênero: Drama
Duração: 106 minutos

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