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Máquina de Pinball

02/05/2011 1 comentário

Clarah Averbuck recentemente ficou conhecida pelo grande público por sua participação no programa Troca de Família – e por depois anunciar que nessa ocasião seu agora ex-marido, baixista do Vanguart, a traiu com a outra participante. Entretanto, participar de um reality show foi apenas mais uma realização dessa gaúcha de temperamento difícil. Anos antes ela era conhecida na blogosfera por seus textos espalhados em revistas digitais e em seus vários blogs. Filha do músico Hique Gomez (Tangos e Tragédias), também é cantora e participa de uma banda. E em 2001 escreveu sua primeira novela e assunto deste post: Máquina de Pinball.

O livro, curto, trata de alguns meses da vida de Camila Chirivino – “22 anos, largou a faculdade de Jornalismo e de Letras pela metade, gosta de gatos, chocolate, vodca, homens magros e sem pêlos, olhos escuros, jazz e rock”. Compartilhando o apartamento minúsculo com um amigo em São Paulo depois de abandonar Porto Alegre, Camila narra as noitadas, divagações, festas, paixões e viagens que viveu – como uma ida a Londres para ver os Strokes, mesmo quase sem dinheiro.

A parte interessante do livro é a quantidade de referências literárias e musicais que traz. A cada início de capítulo há um excerto de música que dá o tom certo à leitura, por exemplo. Além disso, a protagonista se diz fã de Fante, Bukowski, dentre tantos outros. Pessoalmente, sou fã também e isso me desperta uma grande simpatia.

Entretanto, essas referências estão tão marcadas ao longo do livro que paira uma dúvida: é inspiração ou cópia de estilo? Para quem teve oportunidade de ler Kerouac, Fante, Bukowski, Hornby, etc, os trechos em que seus temas e estilos aparecem saltam aos olhos. E, convenhamos, eles são bastante diferentes entre si, o que faz com que o ritmo do livro seja bastante irregular.

Com boa vontade podemos relacionar essa inconstância à necessidade de Camila se encontrar consigo mesma, mas a verdade é que isso incomoda um pouco. Apesar de algumas sacadas ótimas e observações agudas, Averbuck construiu uma personagem antipática. Mesmo se identificando com ela em algumas passagens, outras são tão chatas (desculpem, não achei adjetivo melhor) que chegam a irritar. Um exemplo? Aqui vai:

É só ser completamente normal. Gente normal me dá nos nervos. O dito normal é a coisa mais estranha que posso imaginar. É estranho usar drogas pra se divertir? É estranho dormir até não ter sono? É estranho não querer se encaixar em padrões inventados por meia dúzia de manés no topo da cadeia alimentar? Acho que não.

Eu juro que escrevi algo parecido no meu diário de 2000, quando tinha 15, 16 anos. Quinze, dezesseis anos. É terrivelmente juvenil, não acham? Percebam que não discordo da ideia que ela passa, mas a forma com que isso foi colocado apenas me remete a uma rebeldia imatura, daquelas que causam bocejos. Uma questão de gosto pessoal, talvez.

Em suma, Máquina de Pinball é um livro regular, escrito de uma maneira que beira o desleixo em alguns momentos. Poderia ter saído muito bom, mas… não deu. Entretanto, Clarah Averbuck lançou mais dois outros livros depois desse – Das coisas esquecidas atrás da estante (2003) e Vida de gato (2004) – e creio que daria uma chance a eles. Quem sabe?

Ficha Técnica
Título: Máquina de Pinball
Autor: Clarah Averbuck
Ano: 2001
Editora: Conrad
Número de Páginas: 88

Curiosidade
O livro foi adaptado para o teatro em 2003 por Antônio Abujamra e Alan Castelo – e Averbuck não ficou satisfeita com o resultado final. Além disso, seus livros também inspiraram Murilo Salles a realizar o filme “Nome Próprio”, protagonizado por Leandra Leal em 2007. Você pode ver teasers, trailer e demais informações a respeito aqui.

Clube dos Corações Solitários, de André Takeda

Se você rir, é porque valeu a pena. Se você sorrir, é porque é dos meus. E, como diz Jules Feiffer, maturidade é uma fase, adolescência é para sempre“.

E assim começa, nas próprias palavras do próprio autor, a história do “Clube dos Corações Solitários”, uma história envolvente e cheia de clichês. Mas antes que você me pergunte ou indague a si mesmo o por quê de clichê, a explicação é simples: quem de nós nunca passou ou fez de um determinado momento “clichê” ?

Se você têm amigos de verdade, já terminou um namoro e pensou que com ele o verdadeiro amor tenha ido embora, acordou de ressaca por conta de um porre na noite passada ou acha que têm problemas na sua vida.. então seja bem-vindo, porque você também faz parte desse clube clichê !

Spit – personagem e narrador – mora em Porto Alegre e trabalha em um jornal da cidade. Ele acaba de levar um pé-na-bunda de Luísa, que foi embora e deixou seu coração em pedaços. Mas ao seu lado estão Bruna, Giovanna, João e Bel, que nos levarão juntos a fazer parte de suas vidas, mostrando que todos nós temos problemas e paixões em comuns, dentre elas a música e a amizade.

É impossível citar todas as referências musicais que estão contidas no decorrer da leitura quando o próprio título do livro já é uma referência ao “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”. No entanto, não se deixe enganar, pois o que encontramos nessas 194 páginas vai muito mais além do que o título traduzido de uma música do The Beatles. Atenção: Fãs beatlemaníacos, não me interpretem mal, pois eu também aprecio – e muito – os quatro jovens de Liverpool.

André Takeda é escritor, gaúcho, fotógrafo nas horas vagas e autor dos livros “Cassino Hotel” (Editora Rocco, 2004), ” A Menina do Castelinho de Jóias” (sem previsão de lançamento) e alguns textos lançados em seu antigo zine, como “Quando Eu Tiver 64“, “Um Adolescente nos Anos 80“, dentre outros. Atualmente ele mora em Buenos Aires, na Argentina.

Ficha Técnica

Título: Clube dos Corações Solitários
Autor: André Takeda
Ano: 2001
Editora: Conrad
Gênero: Romance, Literatura Brasileira
Número de páginas: 194

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