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Filme “Ted” traz um urso adulto e desbocado

Urso TED e Mark Wahlberg

Fato: a idéia do roteiro inicial não é nenhuma novidade. Você, caro leitor, já assistiu a dezenas de clássicos na Sessão da Tarde que se iniciaram com o desejo inocente do personagem principal ou de alguém muito ligado a ele nesse tipo de filme. Você viu isso em “Quero Ser Grande” (Big, 1988), “Uma Noite Mágica” (Jack Frost, 1998) e até mesmo em “O Mentiroso” (Liar Liar, 1997). No entanto, contrariando a primeira impressão que esse primeiro parágrafo passou a vocês, “Ted” é a realização contrária a todos os desejos que vimos naqueles filmes.

John Bennet é a criança que, em algum lugar do passado, todos nós fomos. Ele é a mesma criança que fomos ao desejar algo que pudesse nos ajudar e enfrentar todos os problemas de nossa infância. O pequeno John desejou apenas um único amigo. O melhor deles. E você, o que desejou ?

Sem semelhança alguma ao tigre Haroldo (Calvin & Hobbes, criado por Bill Watterson), Ted é a personificação desse desejo. Um urso de pelúcia com vontades e trejeitos próprios que decide, inocentemente, se apresentar ao mundo e ao mesmo tempo jurar fidelidade ao garoto John. E o urso Ted, apesar da fama e assédio dos fãs e imprensa, desde então não quebrou a promessa.

Mark Wahlberg e Urso TED

Thunder buddies for life.

Seth MacFarlane acertou em cheio no roteiro e direção de “Ted”. O diretor norte-americano, criador de “Family Guy”, já nos surpreendeu com personagens como Stewie, um garoto de 1 ano com uma personalidade cruel e sádica que faz a vida da família Griffin ser mais conturbada do que o habitual. Mas Stewie, assim como outros personagens juvenis das séries americanas, nunca crescem ou mudam de personalidade.

Já em “Ted”, podemos ver as mudanças em sua personalidade no decorrer dos 27 anos em que a história se sucede. O urso de pelúcia é o reflexo de todas as faltas de expectativas e comprometimentos acumuladas em seu dono, John (Mark Wahlberg), um homem de 35 anos que namora a belíssima e bem sucedida Lori Collins (Mila Kunis) há quatro anos, mas que no entanto não consegue assumir um compromisso sério ou crescer profissionalmente. Sempre que pode, John escapa de seu trabalho para fumar um baseado ou tomar umas cervejas com seu amigo Ted, que o deixa em várias enrascadas e situações constrangedoras para sua namorada.

Lori, cansada da displicência de John, culpa o urso Ted por não deixar o namorado seguir em frente com sua vida, e dessa forma, dividido entre seus dois e melhores companheiros, John é obrigado a decidir qual rumo tomar em sua vida.

“Ted” é muito mais do que uma lição de amizade e companheirismo.

O filme foi muito bem criticado pela gama de humoristas e comediantes ao redor do mundo, mas “Ted” também foi alvo de censura e repúdia por pais e conservadores. Quando o assunto é expôr a estirpe e defeitos da cultura americana, Seth MacFarlane é um gênio. Se Michael Moore é o rei no quesito literário desse segmento, MacFarlane não fica para trás e vem cumprindo muito bem o seu trabalho desde a criação de “Family Guy”, “American Dad” e alcançando agora o público cinéfilo com “Ted”.

Ficha Técnica

Título: Ted (Ted)
Diretor: Seth MacFarlane
Ano: 2012
Gênero: Comédia
Duração: 106 minutos

“Amizade Colorida”, bobo e despretensioso

Jamie e Dylan conversando no parqueAmizade Colorida é mais um daqueles filmes em que nenhum dos personagens quer se apaixonar de verdade, mas acabam gostando um do outro. Ele contribui para as comédias desse tipo, embora não se aproxime de um “Amor e Outras Drogas”.

A primeira cena do filme é bem editada e mostra Jamie (Mila Kunis) e Dylan (Justin Timberlake) no telefone, aparentemente falando um com o outro, mas na realidade estão terminando com seus respectivos parceiros. Caminho livre para os dois, que não querem mais se machucar no grande e sinuoso caminho do amor.

Jamie é uma talentosa caçadora de talentos que encontra em Dylan (responsável por um blog em LA com inúmeros acessos) um criativo potencial para o cargo aberto da revista GK, em Nova York. Convencido a se mudar para NY, os dois constroem uma amizade sólida baseada em humor e muita sinceridade.

Jamie e Dylan conversando na casa de Jamie

Diálogos afiados contornam a trama, evidenciando a personalidade do casal. Inicialmente amigos, o relacionamento dos dois demora a se estabelecer, já que ambos passam por situações com outros parceiros antes de entenderem que se pertencem. Alguns pontos são bem clichês, mas o filme parece querer brincar com isso, algo que fica claro nas críticas que Jamie faz as comédias românticas que ela mesma assiste.

Amizade Colorida é bobo e livre de pretensões, com o intuito de mostrar que o amor não é só química, é companheirismo também. Mila Kunis e Justin Timberlake fazem um par divertido, mas ela rouba a cena como protagonista.

Ficha Técnica

Título: Amizade Colorida (Friends with Benefits)
Ano: 2011
Diretor: Will Gluck
Gênero: Comédia Romântica
Duração: 110 minutos.

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Correção de comportamento em “A Ilha: Prisão Sem Grades”

Algumas pessoas lidam com pressão melhor do que as outras. Alguns pais não entendem seus filhos. Alguns filhos não entendem a sociedade em que vivem. A sociedade pressiona. E assim por diante em um ciclo vicioso que culmina em uma questão importante: a estrutura familiar e o que a falta dela pode fazer.

A Ilha: Prisão Sem Grades trata disso. Adolescentes com problemas familiares ou pessoais são levados a uma “casa de reabilitação”, para que profissionais qualificados tratem dos problemas deles. Sophie (Mila Kunis) é uma dessas jovens. Seu pai morreu há muito tempo e sua mãe casou-se com um homem boçal que, segundo a garota, abusa dela constantemente. Cansada do teatro de Sophie, o padrasto decide mandá-la para esse “acampamento”.

Na verdade, o lugar nada mais é que um campo de concentração dominado por militares, onde estes jovens sofrem – por cerca de um ano – com seus conflitos expostos: cada um vem de uma família que desistiu de tratar do problema. Nesta ilha, eles são submetidos a diversos abusos e situações extremas, ameaçando seriamente sua sanidade mental. O nome original do filme, Boot Camp, diz muito sobre o lugar.

Ao longo do filme assistimos cenas de palestras de preparação para os pais que vão receber os filhos de volta: a mudança não deve vir só de um lado. O filme levanta uma questão interessante na sociedade moderna: em olhares menores, quantas pessoas geram um filho e o trazem ao mundo para em seguida largá-lo nas mãos de qualquer um? Quantas pessoas incubam um problema dentro de casa para que venha à tona na adolescência, desestabilizando uma base familiar? É realmente necessário levarmos nossos erros para outros profissionais consertarem: psicólogos, psiquiatras, nutricionistas, o que for? Eles são qualificados? Este filme tem uma motivação interessante. Vale (e muito) pelo aspecto psicológico.

Ficha Técnica

Título: A Ilha – Uma Prisão sem Grades (Boot Camp)
Diretor: Christian Duguay
Ano: 2008
Gênero: Drama
Duração: 99 minutos

Curiosidade: Os Boot Camps realmente existem e fazem parte do sistema de correção de jovens que cometeram o primeiro delito no EUA. O modelo deste tipo de punição é baseado nos campos de recrutamento militares e objetivam ensinar seus usuários a obedecer regras e respeitar hierarquias para então voltarem à sociedade. Estes campos de recuperação podem ser empresas privadas ou do próprio governo.

Em busca da perfeição com Cisne Negro

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Cisne Negro é um filme de suspense magistralmente dirigido por Darren Aronofsky, que inicia com uma belíssima cena de balé, captando nossa atenção e nos preparando para um drama psicológico profundo.

Nina (Natalie Portman) é uma garota que dedica todo o seu tempo e pensamento à atingir a perfeição no balé, uma atividade que herdou da mãe Erica (Bárbara Hershey), bailarina aposentada que se realiza ao cuidar da vida e carreira de sua filha de maneira infantil e excessiva.

A companhia de dança da qual Nina faz parte passa por dificuldades financeiras e então surge Thomas Leroy (Vincent Cassel) para inovar. Ele traz a ideia de remontar O Lago dos Cisnes, mas com uma peculiaridade: na peça original, duas bailarinas interpretam o Cisne Branco e o Cisne Negro. Leroy quer que uma única dançarina seja capaz de interpretar os dois personagens de maneira completa.

Enquanto Odette – o Cisne Branco – requer inocência, pureza e encanto, Odille – o Cisne Negro – exige sensualidade, rebeldia e liberdade. Nina atende às características do Cisne Branco, mas tem medo de fugir à técnica para atingir o outro lado. Sua concorrente Lily (Mila Kunis) é a personificação natural e espontânea do Cisne Negro, a inconsequência pura.

Cisne Negro é denso e traz junto à beleza do balé, as sombras de Nina: a busca pela perfeição e seu medo de falhar. A superação dos limites físicos exige uma entrega ao lado escuro de sua alma, que a garota é incapaz de fazer. Ela é mais do que parece – existem aspectos psicológicos de sua criação transbordando na atuação de Natalie Portman (ficou curioso né? No fim do post tem uma dica maneiríssima de leitura).

Bárbara Hershey interpreta Erica, a mãe de Nina, que incomoda de tão sufocante. E mostra uma química perfeita com Natalie Portman que, ao contrário de sua personagem, não teve medo de se entregar de corpo e alma ao papel. Sua atuação é sincera, dramática e perfeita – mereceu o Oscar de melhor atriz. Vincent Cassel transpareceu sua perfídia ao interagir com Nina, de forma exigente e íntima. Mila Kunis esbanja sensualidade e olhares libidinosos no papel de Lily – uma personagem de personalidade duvidosa.

A trilha sonora do filme é baseada em O Lago dos Cisnes e acompanha perfeitamente todas as nuances do longa. Complementando a obra, o maravilhoso figurino dá um toque especial e clássico às cenas – a grife brasileira Rodarte fez à mão as roupas de Natalie Portman.

Cisne Negro traz à tona a face perturbadora que todos temos. Por lidar com uma busca tão perigosa quanto a da perfeição, o que acontece à Nina se mistura em um mundo real e onírico, e não se sabe se o destino da personagem é o mesmo da protagonista. Mas no fim não importa, porque tudo o que desejamos ver – desde os primeiros ensaios – é a Rainha dos Cisnes dançando graciosamente no palco, finalizando a busca pelos seus opostos.

Ficha Técnica

Título: Cisne Negro (Black Swan)
Diretor: Darren Aronofsky
Ano: 2010
Gênero: Drama
Duração: 108 minutos

Dica de leitura: Cisne Negro sob o ponto de vista psiquiátrico – Quem é Nina, quem é Erica e quem é Lily. O post é uma réplica da excelente análise da Dra. Vanessa de Andrade, um link compartilhado pela Cah.

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