Arquivo

Posts Tagged ‘Punk’

Botinada, A Origem do Punk no Brasil

Botinada é o resultado de 4 anos de pesquisa, 77 pessoas entrevistadas, milhares de horas nas ilhas de edição, 200 horas de vídeo e muitas imagens raras e inéditas. Produzido pela St2 Video e dirigido por Gastão Moreira, ex-VJ da MTV, o documentário mostra o surgimento do movimento e cena punk no Brasil na década de ’70.

Outros documentários sobre esse mesmo tema já foram apresentados aqui no Brasil, tendo em destaque Garotos do Subúrbio (1983) dirigido por Fernando Meirelles – o mesmo diretor de Cidade de Deus e Ensaio Sobre a Cegueira.

Mas, voltando ao assunto, o diferencial de Botinada é de que as histórias são contadas pelos próprios entrevistados que narram o que era o Punk naquela época, o surgimento do movimento pela Capital paulista, a chegada dos vinis e fitas K7 e sobre os primeiros shows das bandas que deram início à cena musical brasileira.

Na minha opinião, o destaque do documentário se dá aos capítulos que contam a rivalidade entre as gangues da Capital (São Paulo) e região do ABC (Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul), fato que contribuiu – e muito – para a vista feia da mídia e política daquela época. Afinal, estamos falando de uma cultura que contrariava, naquela época, os meios políticos e sociais de uma ditadura militar.

“Se o punk é o lixo, a miséria e a violêcia, então não precisamos importá-lo da Europa, pois já somos a vanguarda do punk em todo mundo.” – Chico Buarque

Foi lançada uma edição especial (DVD+CD) para as contendo a trilha sonora com as bandas participantes do documentário, mas que no entanto já está esgotada no fornecedor. O CD contém as seguintes faixas:

1. “Oi Tudo Bem?” (Garotos Podres)
2. “Nada” (Olho Seco)
3. “Pânico em SP” (Inocentes)
4. “Vivo na Cidade” (Cólera)
5. “Agressão/Repressão” (Ratos de Porão)
6. “Festa Punk” (Os Replicantes)
7. “O Punk Rock não Morreu” (Lixomania)
8. “Desemprego” (Fogo Cruzado)
9. “Restos de Nada” (Restos de Nada)
10. “Trabalhadores Brasileiro” (Espermogramix)
11. “John Travolta” (AI-5)
12. “Bem Vindos ao Novo Mundo” (Condutores de Cadáver)
13. “Câncer” (Hino Mortal)
14. “Brasil (Desordem e Regresso)” (Rephugos)

Então, se você sente falta dos moshes e stages diving da sua adolescência, garanta já o seu DVD nas diversas lojas de compra online, pois vale muito a pena ter esse documentário em casa. A coelha (@mooritz) da minha Páscoa já garantiu o meu :)

Ficha Técnica

Título: Botinada, A Origem do Punk no Brasil
Diretor: Gastão Moreira
Ano: 2006
Gênero: Documentário
Duração: 110 minutos

Qual a minha idade, mais uma vez ?

De início, achei que meu primeiro post por aqui fosse ser relacionado a alguma referência punk, no bom e velho estilo Sid Vicious (Sex Pistols) ou Jello Biafra (Dead Kennedys) de chutar o balde.

Depois pensei que, talvez, fosse alguma história sobre a fase adolescente, com os fones de ouvido a todo volume, descendo algum corrimão qualquer de patins e cantando “What’s My Age Again” do blink-182.

E com a passar dos anos “aborrecentes”, aquela estrofe da banda Junk – Vamo é Comemorá – começa a ter algum sentido: “Mesmo bagunçando a gente aprende e mais tarde a turma vira gente. Vai de gravatinha pro emprego. Começa o desespero“.

Suas noites insones são trocadas por oito horas diárias de trabalho, aquela cerveja tri gelada pela manhã se transformou em um café sem açúcar e o mais próximo que o seu escritório consegue ser da praia que você tinha antes é ter o formato de um aquário, feito de divisórias moduladas.

Você começa a entender que a cena musical não se resume apenas em “stages diving” ou rodas punk no meio do Fórum Social Mundial. Você começa a “ouvir” ao invés de balançar a cabeça. Percebe que em todo estilo musical há uma lição a ser aprendida. Boa ou ruim.

Nem por você nem por ninguém, eu me desfaço dos meus planos. Quero saber bem mais que os meus 20 e poucos anos“, é o que canta Fábio Jr., em Vinte e Poucos Anos, ao mostrar que, apesar da idade e responsabilidades, todos nós temos aquela essência jovem viva dentro de nós que grita por um pouco de liberdade.

Então percebemos que somos um pouquinho “disso” e “daquilo” quando vamos para o trabalho, vestindo nossos jeans, camiseta e All Star. Já podemos dizer que somos responsáveis, que temos obrigações diárias e prazos a serem cumpridos, mas que não deixamos a nossa cerveja de lado, a companhia de nossos amigos e nem o vício incurável que só a música nos oferece.

Sim, essa música que une gerações diversas, sejam elas “X” ou “Y”. Essa força imensurável feita de riffs e acordes. Essa canção que indaga a nossa cabeça ao questionar “I never want to act my age… what’s my age again“.

Categorias:Música, Pensamentos Tags:, ,
%d blogueiros gostam disto: