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A fragilidade dos laços humanos em “Amor Líquido”

Amor Líquido, de Zygmunt Bauman é um discurso sociológico que te abre os olhos. Bauman fala sobre a fragilidade dos laços humanos, a insegurança que inspira desejos conflitantes, a vontade de apertar os laços e, ao mesmo tempo, mantê-los frouxos.

A liquidez a que se refere, ao contrário dos termos bancários – que é potencializador -, é a sensação de bolsos vazios. Em outros livros já publicados, Bauman defende a ideia do processo de “liquefação” a que os laços sociais estão submetidos, uma proposta contida na própria modernidade.

“Relacionamentos”, diz ele, “estão entre os principais motores do atual boom do aconselhamento. A complexidade é densa e difícil demais para ser desfeita ou destrinchada sem auxílio”. Este mundo propenso à mudanças prejudica nossa capacidade de amar. As redes são formadas tão rapidamente quanto são desmanchadas. O homem sem vínculos é a figura central dos tempos modernos, e Zygmunt trata disso de forma apurada, inteligente, sociológica e psicológica.

Bauman é realista ao tratar as dificuldades dos casais e, quando não temos pares formados, temos a tecnologia à disposição para trocarmos mensagens com pessoas de todos os lugares, buscando relacionamento. Mas em muitos casos as pessoas que passam horas tagarelando à distância, chegam em casa, ligam a televisão e fecham-se em seu mundo.

O autor busca esclarecer de que forma este homem sem vínculos se conecta, evidenciando as armas que criamos para disfarçar um medo antigo.

Ficha Técnica

Título: Amor Líquido
Autor: Zygmunt Bauman
Editora: Zahar
Ano: 2003
Gênero: Sociologia

Categorias:Livros Tags:,

Mate-me Por Favor – Uma História Sem Censura do Punk

Lou Reed – Estou completamente sozinho. Ninguém para conversar. Dá uma chegada aqui, daí posso falar com você.

Nas primeiras linhas de “Mate-me Por Favor – Uma História Sem Censura do Punk”, Legs McNeil e Gillian McCain mostram que o Punk Rock não é uma história única, e sim a coletânea de fatos narrados pelos próprios caras que viram e fizeram parte do nascimento dessa nova geração.

Muito antes de dizerem que João Gordo traiu o movimento ou do Supla ter virado o “Charada Brasileiro”, o movimento Punk ecoou o mundo na década de 70, trazendo à cena social e principalmente musical, uma juventude que seguia o lema “faça você mesmo” (DIY ou Do It Yourself). Ou seja, por que pagar por roupas de grife se você mesmo pode criá-las ? Por que idolatrar uma banda se você mesmo pode montar uma ?

Essa é a história de uma cultura que ainda não está morta. Sim, meu amigo, o Punk não está morto. E nos dois volumes de “Mate-me Por favor” você irá fazer parte da narrativa dos precursores desse, acima de tudo, movimento. O início de um gênero musical que continua a influenciar as bandas do dia de hoje. E não, NX-Zero, Cine e Restart não fazem parte dessa lista.

Legs McNeil – Então eu disse: por que a gente não chama de Punk ? A palavra “punk” pareceu ser o fio que conectava tudo que a gente gostava – bebedeira, antipatia, esperteza sem pretensão, absurdo, diversão, ironia e coisas com um apelo mais sombrio.

Nessa leitura, nas palavras nuas e cruas de Dee Dee Ramone, Joey Ramone, Lou Reed, Andy Warhol, Iggy Pop, Ron Asheton, Patti Smith, Malcon McLaren e vários outros, você não precisará saudar a Rainha, atender um chamado de Londres ou participar de uma anarquia no Reino Unido para se sentir no meio de uma roda punk.

Não demora para ir atrás dessa leitura, hein ?! Se não no próximo artigo eu escrevo a resenha de uma dessas bandas que vestem calças coloridas..

Ficha Técnica

Título: Mate-me Por Favor – Uma História Sem Censura do Punk
Autor: Larry “Legs” McNeil e Gilliam McCain
Editora: L&PM Editores
Ano: 2004
Gênero: Movimento Punk, Sociologia
Número de páginas: 307

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