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Filme “Má Educação”, de Almodóvar, toca na ferida.

Cartaz do filme "Má Educação"Essa é a minha terceira resenha sobre um filme de Almodóvar, então acho que devo alguma explicação. Não se trata de fanatismo, ou pelo menos nada comparado ao amor que tenho pelos filmes de Charlie Chaplin, por exemplo. Conheci a teoria de Almodóvar antes de visualizar sua técnica. Renomado como um dos diretores mais importantes para história do cinema, assisti cinco dos seus filmes mais famosos, gostando muito de uns, e menos de outros.

Má Educação é um filme que certamente não agrada a todos os gostos. É uma história que retrata a pedofilia, abuso de drogas, homossexualismo, solidão, dependência, erotismo e obsessão – ah, a obsessão que Almodóvar tão bem trabalha (lembra de Fale com ela?).

Todos esses elementos compõem a história de Ignacio (Francisco Boira) e Enrique (Fele Martínez). Os dois rapazes se conheceram muito jovens em um colégio liderado por padres da igreja católica, e se apaixonam – um amor curioso, inocente e juvenil. Mas o professor de literatura do colégio, Padre Manolo (Daniel Giménez Cacho) que também é diretor, nutre um sentimento único por Ignacio e, em uma confirmação do ciúme e das intenções que tem para com o garoto, expulsa Enrique do colégio, e passa a abusar sexualmente de Ignacio.

Anos depois, Enrique (o que foi expulso) é um jovem diretor de cinema em busca de inspiração para a sua próxima história, quando um rapaz que se identifica como Ignacio, o procura com um roteiro baseado em sua infância. Agora ator, ele pede para ser chamado de Angel (Gael García Bernal) e procura um emprego com Enrique.

Gael García Bernal

Perturbado com o retorno de seu antigo amor, Enrique busca por mais detalhes e descobre que Ignacio já faleceu, e o rapaz que se passa por ele é, na realidade, seu irmão. Intrigado, guarda a descoberta para si, e inicia as filmagens enquanto tenta descobrir a razão da morte de Ignacio.

Neste filme, Almodóvar usa e abusa da metalinguagem. Ele conta a história de vida de Ignacio através do roteiro “A Visita” que o personagem escreveu, ao mesmo tempo em que o filme se desenrola entre as gravações da película baseada no roteiro e revela segredos da história verdadeira de Ignacio e Enrique, jovens e adultos.

Má Educação é um filme corajoso que busca quebrar o silêncio que a sociedade faz quando o assunto não lhes interessa e quando a violência não lhes atinge. O filme de Almodóvar faz mais do que falar do assunto. Ele mostra a realidade que enxerga em uma sociedade que se oculta sob o sagrado dever para com a igreja católica. Sem dúvida, um filme excelente, mas requer um coração forte.

Ficha Técnica

Título: Má Educação (La Mala Educación)
Diretor: Pedro Almodóvar
Gênero: Drama
Ano: 2004
Duração: 106 minutos

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Cartas para Julieta

Cartas para Julieta é uma comédia romântica bem àgua com açúcar, dirigida por Gary Winick (o mesmo de De Repente 30) que aposta na premissa de que todos devemos acreditar e procurar sempre pelo nosso verdadeiro amor.

Em busca de um pouco de romance em seu relacionamento, Sophie (Amanda Seyfried) e Victor (Gael García Bernal) embarcam para Verona, a charmosa cidade italiana que serviu de palco para a história de Romeu e Julieta. Victor, no entanto, passa muito tempo buscando fornecedores para seu novo restaurante e Sophie passa a visitar os pontos turísticos da cidade sozinha.

A primeira parada é a casa de Julieta, cuja parede é preenchida diariamente com cartas e mais cartas de mulheres que buscam conselhos de amor com a personagem de Shakespeare. Ao término do dia, um grupo de mulheres recolhe as cartas e as respondem, uma a uma, no papel de “secretárias de Julieta”.

Empolgada com a tarefa destas mulheres, Sophie passa a ajudá-las com o intuito de escrever sobre o trabalho delas. A garota encontra no muro uma carta muito antiga, com cerca de 50 anos, escrita por uma inglesa chamada Claire que se apaixonou por um italiano em sua juventude, mas perdeu a oportunidade de fugir com ele. Sophie se comove com a história e decide responder à Claire, mesmo depois de tanto tempo.

Empolgada com o conselho da carta, Claire Smith (interpretada pela animada e maravilhosa Vanessa Redgrave) retorna à Itália para procurar a paixão de sua adolescência, acompanhada de seu neto mau humorado, Charlie (Christopher Egan). Com Victor ocupado, Sophie ajuda Claire em sua busca por Lorenzo Bartolini, enquanto descobre mais sobre si mesma e as escolhas que a levaram ali.

Por mais “previsível” que o filme seja, é legal ver como os personagens chegaram em seus destinos. Claire conduz a história com sua paixão de menina, reacendida pela carta – as dúvidas, as certezas, as lembranças, tudo é muito palpável quando Vanessa Redgrave entra em cena. Sophie acredita plenamente no que faz, mas é uma mulher que precisa de uns empurrões de vez em quando. E Charlie é impaciente e preocupado, enquanto cutuca Sophie com seu humor inglês.

E algo que merece nota é a seleção de músicas para a trilha sonora, que acompanha tão bem os momentos de humor, drama e romance. Mesmo contando com músicas em italiano, o destaque fica por conta de Love Story (da Taylor Swift, hem hem) que resume bem a essência do filme.

No fim, esse discurso de amor verdadeiro podia muito bem contar com atuações mais intensas por parte do casal principal, mas a salada toda de perfis ingleses, italianos e americanos combinam com o gênero do filme e com o público a que ele se destina. Gostei e recomendo :)

Ficha Técnica

Título: Cartas para Julieta (Letters to Juliet)
Diretor: Gary Winick
Ano: 2010
Gênero: Comédia Romântica
Duração: 105 minutos

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